Mulher negra, cadeirante, dançarina, atriz, performer, poeta e modelo, Mona construiu uma trajetória marcada pela arte, pela ancestralidade e pela luta por representatividade
Mona Rikumbi morreu em 7 de agosto de 2026, aos 55 anos. Artista da dança, atriz, performer, poeta e modelo, ela deixa uma trajetória marcada pelo pioneirismo e pela defesa da presença de pessoas negras e com deficiência na arte.
Sua relação com a dança começou ainda na infância e se transformou ao longo dos anos, atravessando também o teatro, a performance e o audiovisual. Depois do diagnóstico de neuromielite óptica, doença rara que afetou sua mobilidade, Mona retomou as artes e passou a desenvolver uma pesquisa própria sobre movimento e presença em cena.
Em julho de 2017, protagonizou um momento histórico ao se apresentar no Theatro Municipal de São Paulo, tornando-se a primeira mulher negra cadeirante a dançar no espaço. A experiência foi registrada no documentário Mona, lançado em 2018.
Ao longo de sua trajetória, apresentou-se em diferentes teatros, centros culturais e espaços públicos e também atuou no cinema, integrando o elenco do longa-metragem Selvagem, dirigido por Diego da Costa.

Uma artista que ocupou espaços
Mona também foi uma importante voz nas discussões sobre racismo, gênero, capacitismo e acessibilidade. Defendia que pessoas com deficiência fossem reconhecidas não apenas como público, mas como artistas, profissionais e protagonistas da produção cultural.
Sua presença no Theatro Municipal tornou-se símbolo dessa perspectiva. Ao ocupar um dos principais espaços da dança brasileira, Mona ampliou as possibilidades de representação e questionou as barreiras que ainda afastam determinados corpos da cena.
Sua trajetória também esteve ligada à ancestralidade e à valorização da cultura negra, dimensões que atravessaram sua atuação artística e política.
Mona Rikumbi deixa um legado que ultrapassa o pioneirismo de sua passagem pelo Municipal. Sua trajetória contribuiu para ampliar as discussões sobre corpo, acessibilidade, representatividade e os lugares que a dança brasileira pode ocupar.
Mona Rikumbi
05/02/1971 – 07/08/2026
Velório
Cemitério São Pedro, Vila Alpina, São Paulo
8 de agosto de 2026, das 11h às 15h
Fontes
Sesc São Paulo – entrevista com Mona Rikumbi, publicada em 12 de novembro de 2021. (SESC São Paulo)
Prefeitura de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa – registros de atividades e participação de Mona Rikumbi na programação cultural da cidade. (Prefeitura de São Paulo)
Prefeitura de São Paulo – Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência – programação do Festival Sem Barreiras e registro da atuação de Mona. (Prefeitura de São Paulo)
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – pesquisas acadêmicas sobre acessibilidade cultural e a trajetória artística de Mona Rikumbi. (Repositório UFRN)
Iparadigma – Elsa Villon, “Conheça a história de Mona Rikumbi”, 23 de junho de 2021. Fonte consultada como referência biográfica, sem reprodução textual. (iParadigma)
Portal MUD