Moções de apoio a Kleber Damaso, professor da UFG, provocam reflexão sobre capacitismo e trabalho na dança

Caso Kleber Damaso amplia debate sobre capacitismo, corpo e trabalho na dança

O professor, pesquisador e artista da dança Kleber Damaso Bueno, da Universidade Federal de Goiás (UFG), enfrenta um processo relacionado à sua situação funcional após apresentar problemas na coluna e hérnias de disco. A condição de saúde levou à discussão sobre sua capacidade de permanecer nas atividades docentes e ao encaminhamento de um processo de aposentadoria por invalidez. Damaso busca, por meio de recurso administrativo, a continuidade de suas funções como professor, com as adaptações necessárias às suas condições de saúde.

A situação mobilizou pesquisadores, artistas e profissionais da dança no Brasil e no exterior e trouxe para o centro da discussão questões relacionadas a capacitismo, corporalidades, saúde, trabalho e produção de conhecimento em dança.

Damaso é professor efetivo do Instituto de Artes da Cena da UFG e desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão relacionadas às artes corporais, dança, dramaturgia e processos de montagem, entre outras áreas. Sua trajetória também inclui atuação artística na Quasar Cia. de Dança, além de trabalhos como pesquisador, curador e gestor cultural.

Segundo os documentos que vêm sendo divulgados em apoio ao professor, a questão não se limita à continuidade de suas atividades profissionais, mas também envolve a discussão sobre como instituições de ensino e pesquisa lidam com diferentes condições corporais e de saúde ao longo das trajetórias profissionais na dança.

É nesse contexto que duas iniciativas de mobilização foram abertas para reunir assinaturas em apoio a Kleber Damaso.

Red Descentradxs apresenta carta aberta

A primeira é uma Carta Aberta da Red Descentradxs, rede de pesquisa em dança formada por pesquisadores e pesquisadoras da América Latina e da Europa.

O documento manifesta apoio a Kleber Damaso em seu recurso administrativo para a reincorporação e adaptação de suas funções como professor efetivo do Instituto de Artes da Cena da UFG.

Na carta, a rede afirma que o caso ultrapassa a situação individual do professor e propõe uma reflexão sobre quais corpos, capacidades e formas de produção de conhecimento são reconhecidos pelas instituições acadêmicas no campo da dança.

A Red Descentradxs também discute a necessidade de considerar as transformações corporais que podem ocorrer ao longo das trajetórias profissionais. Segundo o documento, a readaptação funcional pode ser compreendida como parte da continuidade do trabalho em dança, e não apenas como uma medida excepcional.

A carta relaciona ainda o caso às condições de trabalho e saúde no campo profissional da dança e questiona uma compreensão da produção de conhecimento em dança baseada exclusivamente na mobilidade física ou no desempenho corporal.

Moção de apoio é dirigida à UFG

No Brasil, uma segunda iniciativa foi aberta para assinaturas: a Moção de Apoio ao Professor Doutor Kleber Damaso Bueno, dirigida à Universidade Federal de Goiás.

O documento apresenta a trajetória de Damaso como artista, professor, pesquisador e curador e destaca sua atuação na Quasar Cia. de Dança, no ensino superior e na direção do Centro Cultural da UFG.

A moção solicita sua permanência na função docente, com a adaptação de suas atividades às suas condições de saúde. O texto relaciona a discussão aos direitos das pessoas com deficiência e cita a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), especialmente em relação à igualdade de oportunidades e à adaptação razoável.

Embora tenham enfoques distintos, as duas iniciativas convergem na defesa da continuidade da atuação profissional de Kleber Damaso e utilizam o caso para discutir questões mais amplas relacionadas a corpo, saúde, acessibilidade e trabalho na dança.

Uma discussão que ultrapassa o caso

A mobilização coloca em evidência uma questão que atravessa o campo da dança: como garantir a continuidade das trajetórias profissionais de artistas, professores e pesquisadores quando suas condições corporais ou de saúde se modificam?

A discussão também questiona quais formas de corporalidade são consideradas aptas para ensinar, pesquisar e produzir conhecimento em dança e de que maneira instituições podem incorporar adaptações e diferentes modos de atuação profissional.

As duas iniciativas estão abertas à participação pública.

Carta Aberta da Red Descentradxs — Manifestação sobre corporalidades, saúde e direito à produção de conhecimento em dança na América Latina: https://docs.google.com/forms/u/1/d/e/1FAIpQLSeR4uMN-YX01Z01S6VP6kjFOzK_dDJaokZ9qpmWLbJ7DUUdXA/viewform?usp=send_form

Moção de Apoio ao Professor Doutor Kleber Damaso Bueno: https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR161662

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