PROAC Editais 2026: redução de linhas de apoio e concentração de recursos

O PROAC Editais 2026 apresenta redução no número de linhas de apoio e concentração dos recursos disponíveis. Ao mesmo tempo, os números divulgados revelam uma distância significativa entre os recursos destinados e a demanda financeira apresentada pelos projetos inscritos.

Para esta edição, foram destinados R$ 90 milhões em recursos. A pergunta que fica é: cadê os R$ 100 milhões do PROAC?

Nas nove linhas ofertadas, os projetos inscritos somam uma demanda financeira de R$ 2,317 bilhões. Considerando a relação entre os recursos disponíveis e o valor solicitado pelos projetos, apenas 3,88% da demanda financeira poderá ser atendida.

Menos inscritos e poucos projetos selecionados

O PROAC Editais 2026 registrou 2.956 inscritos em nove linhas. O número representa quase 800 inscritos a menos em relação a 2025.

É um dado que merece atenção. As pessoas estão desacreditando da ferramenta?

Do total de inscritos, 220 projetos serão selecionados, o que corresponde a 7,44% dos projetos inscritos.

Os números podem ser observados na tabela abaixo:

Fonte: dados apresentados no levantamento sobre o PROAC Editais 2026.

Isso é política pública?

Diante desses números, é preciso discutir o próprio modelo de financiamento da cultura.

Isso não é política pública. É concorrência desenfreada que não atende à demanda e não apresenta alternativas para a discussão de como essa única ferramenta dos editais se tornou incapaz de suprir a demanda da cultura.

A redução das linhas de apoio e a concentração dos recursos colocam novamente em debate como atender às diferentes artes, linguagens e demais fazeres culturais.

E a PNAB 2027?

A Política Nacional Aldir Blanc aparece, nesse cenário, como uma possibilidade para o atendimento de outras demandas do setor cultural. Mas há uma questão para 2027.

A PNAB 2027 está condicionada pelo Ministério da Cultura (MinC) à existência de conselhos e fundos locais, que devem ser participativos, deliberativos e eleitos pelos pares.

Isso coloca uma questão para os territórios: como estão essas estruturas nos municípios e no Estado de São Paulo?

Alguém tem informação sobre isso no seu território? Alguém tem informação disso no Estado de São Paulo?

José Renato F. Almeida

José Renato F. Almeida

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Artista-produtor, Mestre em Comunicação e Semiótica (2007) e Graduado em Comunicação das Artes do Corpo (2004), ambos pela PUC-SP. Atua profissionalmente como produtor há mais de 20 anos. Foi professor de Elaboração de Projetos e Políticas Culturais na Escola Livre da Dança (Santo André). Em 2012 fundou a Cais Produção Cultural, produtora com a qual desenvolve os projetos com artistas de teatro, dança, circo, musica e outros. Membro do Grupo de Trabalho de Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo para Eleboração e Implementação dos Projetos ligados à Lei Aldir Blanc. Portfólio