MIRADA 2026: DESCUBRA QUAIS SÃO OS DESTAQUES DA DANÇA EM UM DOS MAIORES FESTIVAIS DE ARTES CÊNICAS DO PAÍS

Cuba, Colômbia e França se juntam para a “Occupation 2”. Foto: David Murcia

Mostra na Baixada Santista chega à oitava edição reunindo espetáculos ibero-americanos de quinze nacionalidades e com homenagem ao Equador

Toda edição do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas apresenta um panorama da produção cênica de um país. Chegou a vez do nosso vizinho Equador. Ao todo, o evento reúne 41 espetáculos de 15 países e 16 atividades formativas durante 11 dias na Baixada Santista. Essa super maratona vai do dia 3 ao dia 13 de setembro. A bilheteria inicia as vendas nesta sexta (14 de agosto) após as 15h, incluindo as três peças de dança em cartaz.

O lançamento da programação foi realizado nesta quarta (12 de agosto) no Sesc Consolação. Nesse encontro especial com comunicadores, a equipe organizadora e a curadoria foram apresentadas por Rosana Paulo, superintendente do Sesc SP. Com a maior parte das atividades realizadas na cidade de Santos, a gerente do Sesc Santos Simone Avancini destacou a nova cartografia com as cidades vizinhas. “Voltamos a expandir. Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente”. Tommy Pietra, integrante do time de curadores, disse que a escolha dos espetáculos, a partir do país homenageado, fez com que a programação fosse “costurada com a Linha do Equador”. Outras “linhas imaginárias” tecem ainda a Mostra Nacional que, segundo o curador Rodrigo Eloi, priorizou o “teatro de grupo”, para evidenciar a identidade que emerge de coletivos com pesquisa continuada.

Dançarinas equatorianas exploram a noção de vazio: Foto: Ricardo Centeno

O QUE TEM DE DANÇA NA PROGRAMAÇÃO?

Vamos começar pela dança equatoriana. Em “Común Vacío”, da IN VITRO Danza Contemporánea, as intérpretes exploram a percepção do espaço a partir do vazio, orientadas pelas projeções do desenho multimídia de Enrique Landivar e sob a direção da coreógrafa Lorena Delgado E. As duas sessões serão logo no início do festival, nos dias 4 e 5 de setembro, nos Arcos do Valongo.

Dentro da mostra internacional, uma produção reúne artistas de Cuba, Colômbia e França. “Occupation 2”, do Colectivo La Frontera, tem coreografia, dramaturgia e conceito do cubano Lázaro Benítez. O assunto disparador do trabalho é o desalojamento à força da comunidade Wayuu, de La Guajira, na Colômbia. A investigação cênica que transita entre luta e silêncio é acompanhada do compasso rítmico do vallenato – gênero musical da costa caribenha. Apresentações nos dias 10 e 11 de setembro, também nos Arcos do Valongo.

“Borda”, Lia Rodrigues Cia. de Danças vai à Baixada Santista. Foto: Sammi Landweer

Quem representa a dança brasileira é a Lia Rodrigues Cia. de Danças. “Borda” terá sessões nos dias 8 e 9 de setembro no Teatro Braz Cubas. Mais recente criação da companhia, a coreografia se desenvolve em torno do próprio significado múltiplo da palavra borda. Assim, os nove corpos dançam a ideia de fronteiras geográficas e políticas.

DICAS PRECIOSAS

Além do site do Mirada (https://www.sescsp.org.br/mirada2026/), o festival tem um aplicativo disponível para download que ajuda a organizar a agenda, encontrar as informações com mais facilidade e até um chat para fazer aqueles comentários pós-espetáculos. E também vale a pena conferir a programação especialmente elaborada para crianças.

 

MIRADA 2026

8º Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas

3 a 13 de setembro de 2026

Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Praia Grande

Grátis a R$ 40

Rafael Ventuna

Rafael Ventuna

Ver Perfil

Jornalista cultural, crítico de arte, MBA em Bens Culturais (FGV), mestrando em Artes Cênicas (USP), pesquisador vinculado ao LAPETT-ECA-USP-CNPq, diretor do Amplidance e da Ventuna Digital.