Mariana Muniz
Descubra o rico acervo do Museu da Dança através de nossa linha do tempo interativa.
1957 - Nascimento
Nascida em Caruaru/PE no dia 10 de setembro de 1957, filha de artista plástico, Mariana teve contato com a arte desde criança.
As férias em Itabaiana, na Paraíba, cidade de minha mãe e dos meus avós, com certeza influenciaram diretamente algumas das criações em dança, notadamente o solo “Paidiá”, de 1989. Talvez a sede e a necessidade cênica tenham raízes no solo nordestino, árido e ávido de água, desde sempre. Para mim a água é um símbolo de conhecimento, de sabedoria; e a cena, o palco, no teatro ou nas ruas, o lugar privilegiado da troca teatral que tem o poder de saciar a sede e alimentar a vida.
1964 - Formação em Recife: Curso de Danças Clássicas Flávia Barros
Aos 8 anos de idade, Mariana Muniz iniciou seus estudos em balé clássico (1964 – 1968) no Curso de Dança Clássica Flávia Barros, em Recife/PE.
Bailarina, professora, coreógrafa, examinadora e jurada, formada pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Flávia Barros (1934) é uma importante referência para o balé clássico, especialmente no Nordeste do Brasil. Fundada em 1958, com Ruth Rozenbaum – hoje diretora do Studio de Danças em Recife ‒ o Curso de Danças Clássicas Flávia Barros, em Recife, sendo responsável pela formação de diversos profissionais nas décadas de 1960 e 1970. Em 1976, com Ariano Suassuna, criou o Balé Armorial do Nordeste, um importante feito para a dança na capital pernambucana, visto que esse foi o primeiro grupo de dança a receber apoio financeiro municipal. Nas décadas de 1980 e 1990, fixou-se no Sudeste, onde coreografou para companhias como o Ballet Stagium e o Cisne Negro, e lecionou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sem deixar de realizar trabalhos no Nordeste.
Flávia Barros foi meu primeiro contato com a disciplina necessária para se tornar um artista. Sua dedicação ao ensino de dança clássica, à coreografia e preparação de bailarinos se estende até hoje. Foi através dela que vim para o sudeste, sob a orientação artística de Gerry Maretzky, professora convidada por Flávia Barros para lecionar para seus alunos. Quando entrei na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, recebi convite para participar, como bailarina convidada, de uma turnê de sua equipe pelo Nordeste. Flávia Barros me fez dançar como uma “condenada”, pois participava de quase todos os números de dança, desde o balé mais clássico ao folclore mais pernambucano. Sim, porque ela conseguia transitar na composição dos passos, na coreografia, desde o espaço mais erudito até o mais popular e folclórico. Perdi contato com ela há algum tempo. A última vez em que nos encontramos, em 2001, estava participando do projeto Dança Brasil, no Rio de Janeiro. Apresentava o solo de dança chamado “Túfuns”, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), do Rio de Janeiro”.
