Crianças dançam na entrada do prédio do programa Head Start em Grand Forks. No canto superior direito, Harry Liu, professor assistente de cinesiologia, aparece dançando com elas. Foto de Walter Criswell/UND Today.
Um projeto desenvolvido pela University of North Dakota (UND), nos Estados Unidos, aproxima dança, educação infantil e pesquisa para investigar aspectos relacionados ao movimento, ao desenvolvimento motor e às habilidades socioemocionais de crianças em idade pré-escolar.
Chamado Joyful Dance, o programa reúne professores e estudantes das áreas de cinesiologia e saúde pública, além de profissionais e instituições de educação infantil da cidade de Grand Forks, no estado de Dakota do Norte.
Durante oito semanas, crianças de 3 a 5 anos participam de encontros com atividades de dança e movimento no University Children’s Learning Center e no Grand Forks Head Start. As práticas incluem saltos, giros, palmas, deslocamentos, jogos e pequenas sequências coreográficas.
A proposta combina experiências de movimento próprias da infância com o acompanhamento sistemático de diferentes aspectos do desenvolvimento das crianças.
Dança, movimento e desenvolvimento
Coordenado por Harry Liu, professor assistente de cinesiologia, e Tanis Walch, professora de saúde pública da UND, o projeto conta com a participação de estudantes de pós-graduação que conduzem as atividades com as crianças.
As aulas são planejadas para trabalhar movimentos fundamentais de maneira lúdica. Equilíbrio, lateralidade, saltos, deslocamentos e outras habilidades motoras aparecem nas brincadeiras e sequências realizadas durante os encontros.
Para as professoras que acompanham o programa, as crianças também desenvolvem outras aprendizagens durante as atividades, como reconhecimento de formas e cores, contagem e percepção dos lados direito e esquerdo do corpo.
A participação não é igual para todas as crianças. Algumas se envolvem imediatamente com as propostas, enquanto outras demonstram maior timidez. A ideia, porém, é que todas encontrem maneiras de participar e se movimentar.

Wei Mao lidera crianças em uma aula de dança no porão do Centro de Aprendizagem Infantil da Universidade. Foto de Walter Criswell/UND Today.
A dança como experiência acessível
Um dos aspectos considerados pelo projeto é a possibilidade de realizar atividades de dança em diferentes espaços e condições.
No Grand Forks Head Start, por exemplo, as crianças realizam parte das atividades no espaço de entrada do edifício. A experiência mostra como a dança pode ser adaptada a ambientes que não contam necessariamente com salas amplas ou equipamentos específicos.
Essa característica também interessa aos pesquisadores quando o projeto considera as diferenças de acesso à atividade física entre crianças de diferentes contextos socioeconômicos.
Segundo a equipe, famílias e crianças nem sempre dispõem de espaços seguros para brincar ou de recursos para participar de determinadas atividades. Nesse cenário, iniciativas realizadas dentro das próprias instituições de educação infantil podem ampliar as oportunidades de movimento.
O que os pesquisadores observam
Além das atividades de dança, o Joyful Dance acompanha as mudanças apresentadas pelas crianças ao longo do programa.
Para medir os níveis de atividade física, os participantes utilizam monitores de movimento presos ao pulso. Os equipamentos registram diferentes intensidades de atividade, permitindo aos pesquisadores comparar os níveis de movimento antes, durante e depois da participação no programa.
Também são avaliadas habilidades motoras como correr, saltar, lançar e manter o equilíbrio.
Outro eixo da pesquisa envolve aspectos cognitivos e socioemocionais. Para isso, a equipe utiliza questionários interativos realizados em tablets, buscando observar possíveis mudanças ao longo das oito semanas.
O acompanhamento parte da compreensão de que as habilidades desenvolvidas nos primeiros anos podem influenciar a participação das crianças em atividades físicas mais complexas posteriormente.
Movimento desde os primeiros anos
Por trás das atividades lúdicas existe uma preocupação relacionada aos níveis de atividade física na infância. De acordo com os pesquisadores, os primeiros anos estão entre os períodos mais ativos da vida, mas a quantidade de movimento tende a diminuir conforme as crianças crescem.
Nesse contexto, o projeto procura aproximar a atividade física de uma experiência prazerosa e cotidiana.
A dança permite que os movimentos sejam apresentados por meio de jogos, música, repetição e interação com outras crianças. Assim, habilidades motoras são trabalhadas sem que a atividade perca seu caráter de brincadeira.
A pesquisa também considera o tempo que as crianças passam diante das telas. Levantamentos realizados antes do início do programa indicaram que parte dos participantes passava várias horas por dia utilizando dispositivos eletrônicos.
O Joyful Dance propõe uma alternativa baseada no encontro, na música e no movimento.
Da instituição para as famílias
A proposta não termina nas atividades realizadas nos espaços de educação infantil. Ao final do programa, as crianças devem participar de uma apresentação para suas famílias, compartilhando parte dos movimentos e experiências desenvolvidos durante as semanas de trabalho.
A equipe também espera estimular a continuidade das atividades em casa. A ideia é que pais e filhos possam dançar juntos, mesmo sem equipamentos ou estruturas específicas.
Para os pesquisadores, essa continuidade é importante para que o movimento deixe de ser uma atividade pontual e passe a integrar o cotidiano das crianças.
Ao aproximar universidade, educação infantil e comunidade, o projeto desenvolvido pela University of North Dakota mostra uma possibilidade de diálogo entre dança e pesquisa. A experiência coloca o movimento no centro da infância e investiga como práticas simples, realizadas de maneira prazerosa e coletiva, podem contribuir para diferentes dimensões do desenvolvimento infantil.
Fonte: UND Today, publicação oficial da University of North Dakota, 23 de abril de 2026.
Leia a matéria original: https://blogs.und.edu/und-today/2026/04/dance-fun-preschoolers-und-research/
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