Cia. Municipal de Dança, Coro e Orquestra de Caxias do Sul têm atividades suspensas por contenção de despesas

A Prefeitura de Caxias do Sul anunciou a suspensão temporária dos ensaios e das apresentações da Companhia Municipal de Dança, do Coro Municipal e da Orquestra Municipal de Sopros. A medida foi comunicada aos integrantes dos grupos artísticos na quinta-feira (9) e está vinculada ao decreto municipal de contenção de despesas, em vigor desde abril.

Segundo a Secretaria Municipal da Cultura, a paralisação ocorre porque não há garantia de recursos para o pagamento dos jetons, remuneração destinada aos artistas pelos ensaios e apresentações. A suspensão permanecerá enquanto vigorar o decreto de contenção de gastos.

O impacto é significativo para os profissionais envolvidos. Na Companhia Municipal de Dança, os bailarinos cumprem carga horária diária e muitos têm o grupo como principal fonte de renda. Além da interrupção das atividades, a audição prevista para novos integrantes também foi cancelada.

A decisão também afeta a programação cultural da cidade. Entre os eventos cancelados está um concerto que reuniria a Companhia Municipal de Dança, o Coro Municipal e a Orquestra Municipal de Sopros em agosto. Em meio ao anúncio, o maestro Gilberto Salvagni solicitou seu desligamento da direção artística da Orquestra, destacando os prejuízos para os profissionais e para o acesso da população às atividades culturais gratuitas.

O bailarino Assaury Hiroshy também se manifestou sobre a suspensão das atividades da Companhia Municipal de Dança:

“Hoje a Companhia Municipal de Dança de Caxias do Sul fecha suas portas. São 29 anos de história, de criação, formação de artistas e construção da identidade cultural da nossa cidade. Uma das poucas companhias oficiais do Brasil, sustentada por lei, chega a esse momento de forma devastadora. Nem durante a pandemia a companhia precisou interromper sua existência. Hoje, vemos espetáculos prontos para estrear, meses de pesquisa, ensaios e dedicação sendo descartados de um dia para o outro, como se todo esse trabalho não tivesse valor. Não é apenas uma companhia que fecha. É um patrimônio cultural que é interrompido. É o desrespeito com artistas que dedicam suas vidas à arte, com a população que perde acesso à cultura e com a memória de uma cidade que escolhe silenciar um de seus maiores símbolos. A arte não é descartável. A cultura não é um gasto. Artistas merecem respeito. Hoje é um dia de luto para a dança e para a cultura de Caxias do Sul.”

De acordo com a Secretaria Municipal da Cultura, a suspensão é temporária e decorre exclusivamente das restrições orçamentárias impostas pelo município. A pasta informou ainda que o edital do Financiarte 2026, com aproximadamente R$ 800 mil em recursos, está mantido e que a realização da Feira do Livro também segue prevista.

A paralisação dos três corpos artísticos reacende o debate sobre a continuidade das políticas públicas de cultura e os impactos da instabilidade orçamentária na manutenção de grupos artísticos permanentes.

Apoie a mobilização

Está em andamento o Manifesto e Abaixo-assinado em Defesa da Orquestra Municipal de Sopros, da Companhia Municipal de Dança e do Coro Municipal de Caxias do Sul.

Entidades, grupos e coletivos podem aderir ao manifesto acrescentando o nome da organização neste documento:
https://docs.google.com/document/d/1G9FMqihmB52Cklg-BKwzlKH4fg8aiqUM4S2Ff-5i5no/edit?usp=sharing

Pessoas físicas podem assinar a petição online pelo link:
https://c.org/97bZCqYmdT

 

Fontes:

  • Prefeitura de Caxias do Sul
  • Jornal Pioneiro (GZH)
  • Manifesto em Defesa da Orquestra Municipal de Sopros, da Companhia Municipal de Dança e do Coro Municipal de Caxias do Sul
  • Depoimento público do bailarino Assaury Hiroshy
Fórum Nacional de Dança

Fórum Nacional de Dança

Ver Perfil

O Fórum Nacional de Dança (FND) é uma associação fundada em 2001 frente à emergência advinda da ingerência do Conselho de Educação Física na área do ensino da dança. Sua criação foi baseada na busca por ações estruturadoras para o campo da dança em âmbito nacional tendo como princípio norteador a construção participativa. Sob essa perspectiva, o FND vem buscando o fortalecimento e autonomia da dança como área de atuação e de conhecimento, o que implica na definição de políticas específicas, próprias, nas mais diversas esferas e sua legitimidade enquanto tal, junto aos poderes constituídos e à sociedade civil.

Ao longo de duas décadas, o FND esteve ativamente envolvido em todas as pautas relacionadas à dança. Além de realizar congregações presenciais sistemáticas com pastas específicas, passando pelos estados do Paraná, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Santa Catarina, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraíba, o FND participou da Câmara/ Colegiado Setorial de Dança entre os anos de 2005 a 2016, dos encontros promovidos pela Articulação Nacional da Dança e da Política Nacional das Artes entre os anos de 2015 e 2016. No contexto pandêmico, realizou um encontro via remota em 2021 com a participação de aproximadamente 300 pessoas fazedoras da dança.

Assim, o FND é detentor de um acúmulo e avanço nas pautas abarcadas pela dança. Realizou em 2023 o seu XVI encontro com a participação de representantes de todos os estados Brasileiros e em 2024 importantes reuniões, dentre as quais a audiência com a Ministra da Cultura Margareth Menezes. Destacamos em especial proposições e acompanhamento de temas que já tramitam no Congresso Nacional, como o Projeto de Lei que Regulamenta a Atividade dos Profissionais da Dança – PL no 4768/2016; Projeto de Lei Complementar para Aposentadoria Especial para o Profissional da Dança – PLP no 190/2015; e Projeto de Lei que inclui as atividades profissionais da Dança no rol das CNAEs para atuação como MEI, PLP no 47/2022.