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Estilo de Dança
Descrição
O projeto LEVANTE inaugurou uma nova fase da pesquisa artística do Núcleo Menos 1 Invisível a partir da criação de danças pautadas na perspectiva do ativismo ambiental frente ao desmatamento e à monocultura. Entre a busca por “refúgios” e “desvios”, o novo projeto se inspira na dança/ação de “ficar com o problema” (HARAWAY). LEVANTE se nutriu dessas coreopolíticas, que são uma “ofensiva” à poluição e, consequentemente, ao racismo ambiental, movimentos que, na maioria das vezes, são liderados por mulheres negras, como o Cinturão Verde, fundado por Maathai no Quênia, e, em São Paulo, os mutirões de plantio, bioconstrução, permacultura e agroecologia, a partir de ações coletivas que acontecem nas bordas do que é considerado “cidade”.
Muitos pensadores estimularam esse processo de pesquisa, entre eles Malcom Ferdinand, em seu livro Ecologia Decolonial; Nego Bispo, A terra dá, a terra quer; e Denetèm Touam Bona, A sabedoria dos Cipós. O trabalho também homenageia a liderança de mulheres como a queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz pela criação do Cinturão Verde no continente africano.
Mas a matriz da inspiração e a materialidade principal foram as experiências nas Hortas da Jô, em Ermelino Matarazzo, e a intervenção artística realizada no Viveiro Escola das Mulheres do GAU, ambas na região da Zona Leste, território onde parte do elenco reside.
Prática como pesquisa orientou o fazer artístico a partir da experiência e vivência nos mutirões organizados pela Rede Permaperifa, com base em práticas agroecológicas e permaculturais.
Antes de tudo, foi importantíssimo desconstruir velhos estereótipos que romantizam o trabalho no campo, excluindo as questões sociais e políticas presentes nas hortas urbanas e agricultura familiar. Mais do que uma vivência “saudável” de contato com a terra e com as plantas e árvores, é importante valorizar o trabalho de quem pega na enxada todos os dias e tem a paciência de ver brotar e frutificar o que semeou, independentemente da chuva, do sol, do calor extremo ou do frio.
A crise climática está aí e obriga a repensar práticas a partir do quintal, através da inspiração das hortas comunitárias.
SEMENTEIRA vem para impulsionar a imaginar futuros possíveis, revitalizando as ruínas em que nos encontramos. LEVANTE também celebra, com o espetáculo SEMENTEIRA, os 14 anos da Cia.
Ficha Técnica
Concepção e direção artística: Cléia Plácido | Intérpretes criadores: Eduardo Reis, Emily Kimura, Júlia Lima, Rafael Markhez, Keithy Alves e Cléia Plácido | Orientação dramatúrgica: Paula Salles | Assistente de coreografia: Clara Gouvêa | Preparação corporal: Mestre Pedro Peu e Maristela Estrela | Preparador vocal: Klécio Miranda e Andreia Nhur | Desenho de luz e cenário: Hernandes Oliveira | Figurino: Karine Lopes | Trilha sonora: Sarine Mariano | Técnica e operação de luz: Pedro Cintra | Técnica e operação de som: Juliana Morimoto | Direção de produção: Iolanda Costa | Assistente de produção: Aline Vieira | Produção executiva e consultoria ambiental: Lucas Ciola | Fotógrafo: Sergio Fernandes | Registro audiovisual: NomeFilmes | Social mídia: Loren Kali | Designer gráfico: Rafael Markhez | Assessoria de imprensa: Marrese Assessoria | Apoio cultural: Cooperativa Paulista de Dança, Aikido Ipiranga | Agradecimentos: Coletivo Eparreh, Rede Permaperifa, Angoleiro Sim Sinhô ZL, Renata Mattar
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