Morre Simone Forti, coreógrafa que marcou a dança pós-moderna, aos 91 anos

A coreógrafa, bailarina e artista Simone Forti morreu aos 91 anos. O falecimento foi anunciado nesta quarta-feira (29) pela galeria Raffaella Cortese, que representava a artista. Com uma trajetória iniciada no final da década de 1950, Forti desenvolveu pesquisas sobre improvisação, composição e performance que influenciaram diferentes gerações de artistas e contribuíram para a consolidação da dança pós-moderna.

Nascida em Florença, na Itália, em 25 de março de 1935, Simone Forti deixou o país com a família em 1938, após a adoção das leis raciais do regime fascista de Benito Mussolini. Os Forti estabeleceram-se nos Estados Unidos, onde ela cresceu e iniciou sua formação artística. Na Califórnia, estudou com Anna Halprin, cuja abordagem baseada na improvisação e na observação do cotidiano influenciou profundamente sua produção.

Em 1959, mudou-se para Nova York com o artista Robert Morris. Na cidade, participou das aulas de composição ministradas por Robert Ellis Dunn, inspiradas nas ideias de John Cage. Nesse ambiente conheceu artistas como Yvonne Rainer, Steve Paxton e Trisha Brown, que mais tarde integrariam o Judson Dance Theater.

Em 1960, apresentou as Dance Constructions, conjunto de trabalhos que propunha ações simples realizadas a partir da interação entre os intérpretes e objetos ou estruturas de madeira, cordas e plataformas. As obras deslocavam o interesse da técnica para ações como caminhar, equilibrar-se, subir, apoiar o corpo e responder às condições do espaço. Essa pesquisa passou a integrar a história da dança pós-moderna e influenciou artistas ligados ao Judson Dance Theater.

Ao longo das décadas seguintes, Forti ampliou sua investigação sobre movimento e improvisação. Durante um período em Roma, interessou-se pela observação do comportamento dos animais, pesquisa que deu origem a obras como Big House (1975) e Planet (1976). Também desenvolveu experimentos com holografia ao lado do artista e físico Lloyd Cross, criou a prática denominada Logomotion, que articulava fala e movimento, e posteriormente as News Animations, performances construídas a partir de notícias e acontecimentos contemporâneos.

Além da criação artística, Simone Forti dedicou-se ao ensino e à transmissão de suas pesquisas. Lecionou na School of Visual Arts, em Nova York, e posteriormente na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ministrando cursos e oficinas de improvisação para artistas de diferentes áreas.

Sua obra foi apresentada em museus, galerias e festivais internacionais. Em 2015, as Dance Constructions passaram a integrar o acervo do Museum of Modern Art. Em 2018, seu trabalho esteve presente na exposição Judson Dance Theater: The Work Is Never Done, também realizada pelo museu. Em 2023, recebeu uma mostra retrospectiva no Museum of Contemporary Art, Los Angeles e foi homenageada com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra na Bienal de Veneza.

A produção de Simone Forti permanece presente em pesquisas, remontagens e estudos dedicados à improvisação, à composição em tempo real e às relações entre dança, performance e artes visuais. Seu trabalho continua sendo uma referência para artistas interessados na expansão das possibilidades do movimento e na aproximação entre diferentes linguagens artísticas.

Fontes consultadas: Artforum, Museum of Modern Art (MoMA), Bienal de Veneza, Raffaella Cortese e Simone Forti Papers (California Institute of the Arts).

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