Morre Dorothy Lenner, referência da dança e do teatro no Brasil

Crédito: Marlon de Paula

Faleceu no dia 21 de dezembro de 2025, aos 93 anos, a atriz, bailarina, professora, diretora e pesquisadora Dorothy Lenner. Nascida em 2 de abril de 1932, em Bucareste, Romênia, construiu uma trajetória marcante nas artes cênicas brasileiras, com atuação decisiva na dança, no teatro e na pesquisa artística.

Em 1939, em decorrência da invasão da Polônia pelo regime nazista, mudou-se com a família para a Argentina, após passagem pela Itália. Em 1953, ao se casar com um brasileiro, fixou-se no Brasil. Mesmo sem domínio do idioma à época, ingressou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD-USP), onde se formou em 1958. Posteriormente, entre 1966 e 1972, lecionou Técnica de Ator na mesma instituição, tendo entre seus alunos Nei Latorraca e Jandira Martini.

Na dança, teve formação diversa e internacional. Estudou com Vera Károli em Bucareste, dança expressionista com Chinita Ullman, dança clássica com Maria Oleneva, dança moderna com Otto Wergberg em Buenos Aires, além de dança moderna e jazz com Vera Kumpera e a Técnica Martha Graham com Yanka Rudska. Em meados da década de 1960, foi bolsista do Conselho Britânico, representando o Brasil no curso Stage Craft and Acting, da British Drama League, em Londres. Em 1967, também em Londres, estudou danças antigas europeias com Belinda Query.

A partir da década de 1960, atuou em novelas, teatro e cinema, com destaque para o filme Gaijin – Os Caminhos da Liberdade (1980), de Tizuka Yamasaki. Entre 1959 e 1977, dirigiu grupos de teatro e de operários na periferia, além de trabalhos de teatro de rua com crianças, adolescentes e adultos.

Ao longo da carreira, trabalhou com importantes diretores e artistas, entre eles Alberto D’Aversa, Alfredo Mesquita, Olga Navarro, Antunes Filho, José Agrippino de Paula e Maria Esther Stockler, Eugênio Kusnet, Fernando Arrabal e Luiz Carlos Ripper. Em 1978, iniciou uma parceria artística com o multiartista Takao Kusuno, um dos precursores do butô no Brasil, participando de trabalhos entre 1978 e 1980 e, posteriormente, de 1995 a 2003, com a Cia. Tamanduá de Dança Teatro.

Entre o início dos anos 1980 e 1995, interrompeu sua atuação regular nos palcos, mas manteve-se vinculada à Cia. Tamanduá de Dança Teatro e esteve à frente do Centro Cultural Tamanduá, localizado no centro histórico de Tiradentes (MG). De 2002 a 2013, atuou em TABI e o Sonho da Raposa, com Emilie Sugai. Entre 2016 e 2019, criou a performance-instalação Wabi-Sabi, apresentada em diferentes contextos artísticos.

Nos anos seguintes, realizou apresentações e intercâmbios internacionais, incluindo participação no Japão, a convite da Bienal de Kyoto.

Dorothy Lenner deixa um legado de contribuição profunda às artes cênicas, reconhecida por sua atuação como intérprete, criadora, educadora e pesquisadora.

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