LABORATÓRIO DA DANÇA

Série #1 Aprendizagem virtual em dança: um olhar para a perspectiva discente

Quarta, 01 de Setembro de 2021 | por Natália Beserra |

POR QUE APRENDIZAGEM VIRTUAL E NÃO EaD?

A pandemia de 2020/2021 provocada pelo vírus COVID-19 colocou em pauta o Ensino à Distância em diversas áreas de conhecimento. E na Dança, o que ouvimos falar sobre

Primeiro de tudo, acredito ser importante esclarecer a diferença entre Ensino à Distância (EaD) e Aprendizagem Virtual e, sobretudo, porque é desta que lhes falo e não da primeira. Os primeiros registros apresentados com relação ao EaD no mundo foi por volta de 1728, quando o "Jornal Gazeta de Boston", nos Estados Unidos, ofereceu um curso de taquigrafia com material e tutorial por correspondência. A Internet não existia ainda, sendo criada somente em 1969, e, portanto, os primeiros recursos que possibilitaram um Ensino à Distância foi por meio de cartas. Quase 100 anos depois, em 1840, foi inaugurada a primeira escola por correspondência da Europa, no Reino Unido. A chegada da educação à distância no Brasil, foi somente em 1904, quando o "Jornal do Brasil" ofereceu o primeiro curso de profissionalização por correspondência para datilógrafo. Com os avanços tecnológicos, o Ensino à Distância foi se incorporando nas novas possibilidades: como chamadas de videoconferências via Google Meet ou Zoom, por exemplo.

Pode-se perceber, por meio desta breve contextualização histórica do EaD, que os meios de comunicação foram, e ainda são, utilizados também como ambientes educativos e que não só comunicam e disseminam informação, como reestruturam formas de socialização e de interação na sociedade. Maria Luiza Belloni, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), aponta que:

Pedagogia e tecnologia (entendidas como processos sociais) sempre andaram de mãos dadas: o processo de socialização das novas gerações inclui necessária e logicamente a preparação dos jovens indivíduos para o uso dos meios técnicos disponíveis na sociedade, seja arado seja o computador. (BELLONI, 2002. p. 118).

Entretanto é importante ressaltar que apenas a separação física entre professores, alunos e alunas não caracteriza necessariamente um curso de Educação à Distância. Eduardo Santos Junqueira, professor do programa de pós-graduação em educação brasileira da Universidade Federal do Ceará (UFC) e autor do livro "Tutores em EAD", afirma que o uso de tecnologia de informação e de comunicação em rede é intenso no modelo de Educação à Distância e que com o desenvolvimento de sistemas de transmissão em tempo real e de compartilhamento de dados, a capacidade de interação no EaD aumentou (JUNQUEIRA. apud PIERRO, 2020. p. 3). Junqueira aponta ainda em seu livro que a implicação do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) é essencial para a realização de um curso EaD. O AVA se comporta "como uma espécie de campus da universidade ou faculdade na internet"[1] (JUNQUEIRA, 2018) e apresenta uma série de ferramentos necessárias para o seu funcionamento: fórum de discussão, chats (salas de bate-papo), webconferência, mensagens, repositórios para trabalhos e arquivos dos alunos e alunas, questionário e avaliação online e acompanhamento dos estudantes da turma. Além dos AVAs, a estruturação de um curso EaD se dá pela presença de três áreas de funcionalidade:

1.      Coordenação geral das ações de um curso: permite disponibilizar arquivos para todos os alunos e alunas, por exemplo;

2.      Administração do curso: permite gerar e editar listas de alunos e alunas inscritas, contabilizar avaliações e emitir certificados;

3.      Comunicação: inclui fóruns de discussão, salas de bate-papo e mensagens.

Portanto, um modelo de Educação à Distância não se configura somente na separação espacial entre professora, aluno e aluna, mas também na estruturação e configuração em torno deste distanciamento, buscando ferramentas disponíveis pelos meios de comunicação e informação em rede, atualmente plataformas existentes na Internet, e dispondo de áreas de atuação que auxiliem na coordenação, administração e comunicação dos ambientes virtuais.

As soluções encontradas por nós, professores de dança, durante o confinamento de 2020 e 2021 não poderia, portanto, ser classificada como Ensino à Distância, nem mesmo dentro das universidades que antes atuavam em ambientes presenciais. Entretanto, não se pode negar a presença do ensino virtual, provocada pelo ambiente online, e como, nele, a aprendizagem se vê ressignificada e reestruturada, reconhecendo, assim, o ambiente virtual não como um local de substituição, mas de existência autônoma.


[1]  Conforme a Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), a citação deve vir seguida por nome do autor, ano e página do trecho citado. Entretanto, a referência citada foi extraída de uma leitura digital, através do Ebook "Tutores em EaD: teorias e práticas", do autor Eduardo Junqueira, disponível pela Amazon e lido pelo dispositivo Kindle. Desta forma, não foi possível extrair a página exata da citação referenciada.

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Natália Beserra

Professora, pesquisadora e intérprete



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