CALENDÁRIO DA DANÇA

Eté-Festival Corpo reúne diversidade em dança, teatro e circo no Theatro Municipal

Sábado, 21 de Setembro de 2019 | por Portal MUD |


Eté mistura as múltiplas formas de expressão corporal em doze dias de evento: Balé da Cidade dança Caetano Veloso e lança livro de 50 anos de trajetória; espetáculo de variedades especialmente concebido para o evento reúne circo contemporâneo e dança de rua; Denise Stoklos apresenta monólogo performático que retrata o Brasil atual; Ballet Stagium e Barbatuques fazem apresentação juntos pela primeira vez; peça celebra história da artista trans Phedra D. Córdoba; Balé Nacional da Coreia estreia Vestígios de Areia Preta.

Eté – (e.té do Tupi Guarani): (advérbio) muito (adjetivo) genuíno; legítimo; valoroso;poderoso (substantivo) corpo; substância; matéria.


De 21 de setembro a 5 de outubro, o Theatro Municipal de São Paulo recebe o EtéFestival Corpo, evento celebra as expressões corporais por meio de atrações de dança, circo, teatro, mímica. A curadoria é do diretor artístico do Theatro Municipal de São Paulo, Hugo Possolo, e foca na diversidade e representatividade dentro das artes cênicas.

“O que deu o eixo geral da curadoria deste novo Festival foi a busca por espetáculos que representem a diversidade, que é uma questão muito atual, muito contemporânea. Optamos por espetáculos que correspondessem a isso de uma maneira ou de outra, que tivessem essa liga”, explica Possolo.

Programação completa aqui

Com estreia no dia 21, sábado, às 20h, um dos espetáculos de maior sucesso do Balé da Cidade de São Paulo, Um Jeito de Corpo-Balé da Cidade Dança Caetano, abre o festival. Em julho, a produção foi vista por cerca de 5 mil pessoas durante as quatro apresentações, com ingressos esgotados em todas as datas, num dos maiores festivais de dança contemporânea do mundo, o ImPulsTanz, em Viena. A ideia e o conceito geral de Um Jeito de Corpo são assinados por Ismael Ivo que também é cofundador do festival e diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo. A coreografia é da grande bailarina e coreógrafa Morena Nascimento. Para este trabalho, Morena se deixou guiar pela inspiração nas músicas, no gestual do artista brasileiro e no elenco do Balé da Cidade de São Paulo, no qual ficou impressionada pelo vigor e entrega dos bailarinos.

“Além das canções que me fascinam, gosto, particularmente, de observar o corpo de Caetano em movimento - quando canta, gesticula, responde uma entrevista. Para mim ele está o tempo todo dançando mesmo que não esteja. A gama gestual que o seu corpo nos apresenta é tão rica e me diz tanta coisa que quase não preciso ouvir as canções”, se diverte Morena. As apresentações se estendem pelos dias 22 (18h), 26 e 27 (20h) e 28 (16h e 20h).

Já o espetáculo Corpos em Vertigem foi concebido especialmente para o Festival. No dia 24, terça-feira, às 20h, artistas circenses e trupes de circo contemporâneo apresentam os melhores trabalhos da Mostra Competitiva do FIC 2019 – Festival Internacional de Circo da Cidade de São Paulo (do terceiro ao primeiro lugar, além do prêmio do júri popular). Eles levarão ao palco do Municipal uma mostra de investigações da linguagem circense, por grupos que apostam na experimentação e apontam novos rumos – Cia. Gravitá, Jan Leca, Iago Richard, Total Eclipse, Cia. Do Relativo e Diálogos Acrobáticos. A eles se juntam a Cia. Sacro Movimento e Dança, de dança de rua, com coreografia de Vinícius Araujo, e o percussionista Eduardo Contrera.

No dia 25 de setembro, quarta-feira, às 20h, a diretora, atriz e escritora Denise Stoklos leva ao Municipal a peça Vozes Dissonantes, criada, escrita, coreografada, dirigida e interpretada por ela à época em que se comemoravam os 500 anos do descobrimento do Brasil, celebrado nos anos 2000. Mais atual do que nunca, neste trabalho, Stoklos parte das ideias e trajetória de personalidades brasileiras, como Tiradentes, Pe. Antonio Vieira e Milton Santos, que lutaram para tornar o país mais igualitário e livre, para a construção do monólogo carregado de soluções mímicas, marca registrada da artista.

No dia 1º de outubro, terça, às 20h, entra em cena o Ballet Stagium com Barbatuques em LADOALADO. Dividida em três partes, a apresentação inicia com a coreografia Sonhos Vividos, do Ballet Stagium, com homenagem a Elis Regina, seguida de uma apresentação do Barbatuques, referência em música e percussão corporal com apresentações em mais de 30 países. O Barbatuques irá apresentar o show que comemora os seus 20 anos de existência com um repertório especial, que mescla repertório clássico dos primeiros discos, como Barbapapa´s groove, Carcará e Baião Destemperado, com o mais recente, com músicas como Ayú, Skamenco e Kererê.

Encerrando o LADOALADO, o Ballet Stagium vai reviver a coreografia Batucada, de 1980, do coreógrafo Décio Otero, e direção teatral de Marika Gidali. A novidade fica por conta dos novos arranjos corporais criados pelo grupo Barbatuques para a trilha deste espetáculo que conta com músicas do compositor Luciano Perrone e do Mestre André e sua bateria. O objetivo é integrar o erudito com o popular.


50 anos do Balé da Cidade (saiba mais aqui)

Um dia depois, integrando a programação do Festival, um livro em celebração aos 50 anos do Balé da Cidade de São Paulo e o documentário 50 anos do Balé da Cidade de São Paulo, da produtora Prodigo, serão lançados no dia 2 de outubro, às 19h, na Sala do Conservatório, na Praça das Artes, extensão do Theatro Municipal.

Entrevista com Phedra, peça que celebra a diva histórica do teatro brasileiro Phedra D. Córdoba, e que marca a estreia do jornalista e crítico teatral Miguel Arcanjo Prado como dramaturgo, será apresentada no dia 3, quinta-feira, às 20h, na Sala do Conservatório na Praça das Artes (extensão do Theatro Municipal). A peça repassa a vida da icônica atriz trans cubana e sua importância para os palcos do Brasil. Phedra estreou no ano passado, quando a atriz, se estivesse viva, completaria 80 anos. Phedra é interpretada por Márcia Dailyn, atriz, primeira bailarina trans do Municipal de São Paulo e atual diva da Praça Roosevelt, enquanto o ator Raphael Garcia, um dos fundadores do Coletivo Negro, dá vida a Miguel Arcanjo. Os atores foram convidados pelo autor a integrar o projeto com realização da Cia. De Teatro Os Satyros, fundada por Ivam Cabral e Rodolfo García.

A programação do Eté-Festival Corpo se encerra com apresentações gratuitas, nos dias 4 e 5 de outubro (sexta e sábado), às 20h, de Vestígios de Areia Preta, novo espetáculo do Balé Nacional da Coreia, com coreografia de Ahn Sungsoo e música da compositora e diretora musical da companhia Ra Yesong. Neste trabalho, o coreógrafo explora a beleza inerente dos 14 bailarinos e captura pontos coincidentes entre a sua linguagem corporal e a música. Os ingressos serão distribuídos duas horas antes de cada apresentação na bilheteria do Theatro Municipal.




Deixe seu comentário

Os comentários não representam a opinião do Portal MUD; a responsabilidade é do autor da mensagem.