Uma revisão científica global publicada pela renomada revista The BMJ revelou que programas estruturados de dança estão entre as intervenções de atividade física mais eficazes para reduzir sintomas de depressão. A conclusão é baseada em uma abrangente metanálise em rede que comparou a eficácia de diferentes modalidades de exercício na melhora da saúde mental.
A análise, publicada em 2024 pelo BMJ Group do Reino Unido, examinou 218 ensaios clínicos randomizados, totalizando mais de 14.000 participantes. Os pesquisadores compararam o impacto de atividades como caminhada, corrida, ioga, treinamento de força e dança nos escores de depressão relatados. Os resultados posicionaram as intervenções baseadas em dança como uma das que provocaram as maiores reduções gerais nos sintomas depressivos, superando muitas outras formas de exercício tradicionais na comparação.
Especialistas apontam que a estrutura única da dança, que combina movimento coordenado, ritmo musical, expressão criativa e frequentemente um componente social, pode ser a chave para seu efeito potente. Esta combinação pode ativar simultaneamente várias regiões cerebrais ligadas à recompensa, memória e regulação emocional, oferecendo benefícios que vão além do gasto calórico ou do condicionamento físico puro.
Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo, citados pela publicação, fazem ressalvas importantes. Eles alertam que a certeza das evidências ainda é limitada, pois muitos dos estudos analisados eram pequenos, tinham metodologias variadas ou durações diferentes. Por isso, os pesquisadores e clínicos entrevistados são enfáticos: a dança deve ser vista como um complemento valioso, e não um substituto, para tratamentos padrão baseados em evidência, como psicoterapia e medicação, quando prescrita.
O contexto da descoberta é marcado por dados preocupantes de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão afeta cerca de 5% dos adultos globalmente. Nos Estados Unidos, dados federais indicam que aproximadamente 13% das pessoas com 12 anos ou mais relataram sintomas depressivos recentes, um número que aumentou no período pós-pandemia.
Profissionais de saúde mental destacam que a análise reforça o papel crucial da atividade física no bem-estar emocional. A dança, em particular, pode ser uma porta de entrada atraente para pessoas que não se identificam com rotinas convencionais de academia. A recomendação final das autoridades é clara: indivíduos com depressão devem procurar orientação de profissionais licenciados, utilizando intervenções como a dança de forma integrada a um plano terapêutico abrangente e personalizado.
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Fonte da informação: Meta-análise de 2024 publicada no The BMJ (British Medical Journal). Reportagem baseada em cobertura original do Asian Journal Newsroom.
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