
Categoria
Subcategoria
Ano
Data do Evento
25 de outubro
País
Estado
Cidade
Estilo de Dança
Descrição
Num almoço em casa de uma família tradicional, na hora do café, depois de todo ritual da refeição francesa, a matriarca pede a empregada: “Odete traga meus mortos!”. Incrédulo, com expressão assustada, Edu foi informado que este pedido tornou-se habitual daquela senhora que lê diariamente o obituário enquanto toma seu cafezinho. Sua preocupação é saber se algum conhecido faleceu e observar a forma como foi escrito o obituário, sempre discordando e dizendo que não quer o seu daquele jeito. Então começa a descrever como gostaria que divulgassem sua morte, a foto que deve ser colocada, a roupa e como as pessoas devem agir no seu funeral. Um fato aparentemente triste torna-se o momento mais engraçado do dia da família que passa a lembrar de histórias da vida e de pessoas que passaram por ali. A morte perde a carga de sofrimento, cedendo espaço para lembranças de vidas cheias de experiências, como são todas as vidas. Para aquela senhora, o falecimento do outro possibilita a reflexão sobre sua própria existência.
No espetáculo, os artistas refletem sobre os ritos de passagem, o partir, ausência e presença. A morte em “Odete, Traga Meus Mortos” representa, portanto, essas ausências de pessoas, lugares, situações, objetos. Ao chegarmos a algum lugar chegamos carregados de passado, de experiências vividas durante toda a vida e, até mais, trazemos nossos antepassados, histórias de família, de lugares de sonhos… Nos pés ficam os calos e o pó da terra por onde caminhamos. Na mente ficam registradas as imagens, os odores, os sons, as histórias que encontramos em cada esquina, em cada rua, casa, monumento, pessoa. Somos feitos de encontros. A todo momento, somos preenchidos de outros. Um outro que muitas vezes desconhecemos, mas que nos afeta e que nós afetamos também. Informações que vão sendo nosso corpo – na postura, no modo de andar, comer, falar, gesticular, enfim, no nosso modo de agir e dançar. Trata do lugar do outro em nossas vidas, nossos mortos (pessoas e situações passadas) marcando nossos corpos, nossas vidas.
Ficha Técnica
Criadores/intérpretes: Lucas Valentim e Edu O. | Iluminação e operação de luz: Márcio Nonato | Trilha Sonora: SomdoRoque | Operação de som: Catarina Gramacho | Figurino: Nei Lima
Artista/Cia/Grupo/Instituição
Local
Praça Pedro Arcanjo
Acervo doado por
Coleção
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