Minicurso En-Vazão de Domicílio – Blues Dance com Guilherme Veras

por Guilherme Veras

curso | Dança de Salão

Minicurso En-Vazão de Domicílio – Blues Dance com Guilherme Veras

Quando. Estreia dia 27 de novembro, sábado

Onde. www.bluesdance.com.br

Quanto. Gratuito, com inscrição prévia pelo site

Mais. www.bluesdance.com.br


Referência na dança em BH, Guilherme Veras faz minicurso online voltado para a Blues Dance

Dividido em quatro aulas gratuitas, que estreiam no dia 27 de novembro, o curso “En-Vazão de Domicílio” visa popularizar a dança do blues

Não é novidade que o blues é um dos gêneros musicais mais importantes da história. Surgido no fim do século XIX, do canto de afro-americanos que trabalhavam nos campos de algodão, o blues gerou uma verdadeira revolução social, estética e sonora, que se desdobrou em diferentes subgêneros e novos estilos, como o jazz, o rock’n’roll e o R&B. Quanto à música, a história é conhecida e celebrada ao redor do mundo, até os dias de hoje – e, em Belo Horizonte, não é diferente, haja vista as várias bandas, festivais e espaços voltados ao estilo.

Mas, o que pouca gente ainda sabe no Brasil, é que também existe uma dança, com potentes conceitos e movimentos, surgida junto ao canto dos afro-americanos e embalada pelos riffs de guitarra nos anos seguintes. A chamada Blues Dance, que tem na capital mineira um importante entusiasta: o artista Guilherme Veras, especialista em danças de salão, com mais de 20 anos de experiência em diferentes linguagens, como o Forró, Samba, Zouk e o Tango. Desde 2015, Veras tem se dedicado, também, a estudar, praticar e ensinar a Blues Dance, que se tornou uma de suas linguagens favoritas.

A conexão desembocou no minicurso online “En-Vazão de Domicílio”, que começa no dia 27 de novembro, sábado, de forma totalmente online e gratuita. O curso é aberto ao público, mas é necessária inscrição prévia pelo site www.bluesdance.com.br. Em quatro aulas virtuais, disponibilizadas em vídeos gravados, Veras vai abordar diferentes aspectos da Blues Dance, tais como história, conceitos e movimentos-base, além de contar um pouco de suas.

“O projeto surgiu de uma percepção dupla. A primeira é de que a Blues Dance é bastante difundida e possui grande público em outros países, porém no Brasil ainda é pouco conhecida. A segunda é que, em meio ao momento pandêmico que vivemos, onde as pessoas estão isoladas em casa, a arte toma um papel importante e fundamental para a saúde física e psicológica, como forma de descompressão ao isolamento”, reflete Guilherme Veras. “Este é um curso para quem quer dar vazão a toda essa energia acumulada, deixando transbordar novas possibilidades através da dança. Não é necessário ter uma experiência prévia em dança para se divertir”, completa o artista, que já formou mais de 300 pessoas na linguagem da dança, somente entre 2018 e 2019.

Para Veras – que também já performou dançando blues em dezenas de festivais e shows pelo Sudeste brasileiro – o minicurso vai de encontro à sua missão de quebrar barreiras das danças de salão e popularizá-la enquanto expressão artística. “Hoje, existem vários movimentos emergentes que trazem um novo olhar para as danças de salão tradicionais, como a dança de salão contemporânea e a dança queer, e a Blues Dance também entra neste cenário. Acredito que a diferença principal da linguagem é sua historicidade ancestral e seu diálogo e interface com outros movimentos, que não estão relacionados necessariamente à cena da dança”, diz Veras. “Quando levamos a dança para eventos focados na música do blues, onde ela não está comumente inserida, fomentamos novas interações e percepções que têm um grande impacto tanto para os artistas quanto para os espectadores”.


A dança do blues

Pertencente à família de danças vernáculas afro-americanas (danças que não têm influência de linguagens externas a seus ambientes originários), a dança do blues é praticada há mais de um século em bares (os juke joints ou “inferninhos”, em português), clubes e em muitos outros lugares pela América. Do ponto de vista histórico e social, a Blues Dance trilhou um caminho bem diferente das danças de salão tradicionais, principalmente por não ser “comercializada” ou sofrer apropriação cultural de outros grupos.

“Os dançarinos originais de blues não organizaram aulas, workshops e encontros de qualificação, sendo que o seu desenvolvimento aconteceu praticamente em espaços de encontro da comunidade negra, ao contrário das swing dances, por exemplo, que eram frequentemente executadas em locais não segregados”, conta Guilherme Veras. “A principal forma de transmissão deste conhecimento foi oral e tátil, a partir das vivências, trocas e experiências do cotidiano, assim como na música. As pessoas aprenderam imitando os mais velhos cuja dança admiravam e, gradualmente, desenvolveram suas próprias vozes e maneiras de se mover”.

Veras ressalta que, por conta desse aspecto, não há na dança do blues um certo padrão definido. “Não existe uma Blues Dance, mas várias. As danças do blues também evoluíram de acordo com as músicas, criando tantos, ou senão mais, outros estilos e idiomas”, diz, ponderando que não se trata, porém, de um vale-tudo da dança. “Existe uma linha comum que norteia essa gama de idiomas presentes nas danças do blues, onde podemos fazer uma correlação até mesmo com as danças brasileiras, como o Forró, o Zouk e o Samba. Dançar blues tem tudo a ver com encontrar o movimento certo para a música certa, além de respeitar e compreender suas histórias e personagens de origem”.


Sobre Guilherme Veras

Natural de Belo Horizonte, 36 anos, Guilherme Veras atua desde 1999, como educador e especialista em linguagens de dança a dois (danças de salão), capoeira e culturas populares. Fez parte do Grupo Experimental da Mimulus CIA de Dança e estudou na Escola Mimulus, tendo contato com danças norte americanas como o Lindy Hop, Swing West Coast e Hustle, entre outras áreas do saber ligadas à dança. Em 2011, foi o primeiro profissional das danças de salão a trabalhar sem a definição/aplicação de gêneros em suas aulas em BH, criando uma metodologia inclusiva, onde uma das propostas é a dessexualizar os movimentos da dança.

Em 2015, fez sua primeira viagem à Europa e fundou o coletivo artístico Manifesto 1, que conta com artistas e parceiros de centros de referência em arte e dança de Minas Gerais e do mundo. Na mesma época, começou sua pesquisa e imersão em Blues Dance, performando em festivais como “Blues no Morro”, “Horizontes Blues”, “Festival Chapadas Folk´n Blues”, “Lavras Novas Jazz Festival”, “Festival Banco do Brasil – Seguridade de Blues e Jazz”, “Festival Folk Sessions”, “Festival BlueStock”, entre outros. 

No movimento do Forró, produziu, em 2016, o primeiro festival de pesquisa e formação em dança voltado à dança/cultura popular, o “BH Forró Festival”, que uniu profissionais e estudantes de todo o mundo e profissionais de 5 Estados. Também realizou, dois anos depois, o maior flashmob de Forró da história, com mais de 1.500 pessoas: o “Retrato de um Forró,” na Praça da Estação. Fundou, ainda, o coletivo Forro.org, visando acelerar projetos culturais em torno da cadeia produtiva do Forró.

Em 2017, foi o primeiro profissional das danças de salão a participar do programa “Circula Minas”, da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais, voltado para formação, pesquisa e difusão cultural. O projeto possibilitou o intercâmbio com profissionais de Blues pelo mundo, através do festival “Baby Blues Baby”, em Londres, na Inglaterra. Como contrapartida ao incentivo estadual e forma de disseminar a Blues Dance, linguagem pouco conhecida no Novo Continente, ofertou mais de 15 workshops gratuitos distribuídos ao longo de dois anos. O trabalho resultou no primeiro curso brasileiro de Blues Dance, com mais de 200 alunos formados entre 2018 e 2019, em sua “Escola de Artes Integradas”.

Em 2019, o artista levou o movimento do Forró para a “Virada Cultural de BH”, com o projeto Forró Sound System, que contou com uma produção coletiva e 22 DJs, três Workshops e um palco de 24 horas de música e dança. Também atuou, em 2019 e 2020, na produção de eventos como “Rainhas do Cangaço (Forró para a juventude no CRJ)”, “I Fórum Estadual Forró de Raiz de Minas Gerais”, “I Fórum Internacional de Forró”, “Festival São João na Rede Solidário”, entre outros.

Para além da dança, Guilherme Veras possui mais de 20 anos de experiência em Gerência de Projetos de Sistemas de Informações e Desenvolvimento Web, Marketing Digital, UX e Design. Cursou Sistemas de Informações (PUC/Minas), Ciências Econômicas (FEAD/MG), e Biblioteconomia (ECI/UFMG), além de possuir outras diversas qualificações em tecnologias da informação e comunicação.