Fui treinada para repetir, para alinhar o corpo a uma forma, para retornar ao início e refazer o caminho com excelência e perfeição.
Como diz Manoel de Barros:
– “Repetir, repetir, repetir – até ficar diferente.”
Mas o que acontece quando o corpo já não quer voltar?
“Transversa” nasce deste deslocamento.
De um corpo atravessado por camadas de tempo, técnica e experiência. Do balé clássico, onde aprendi a construir linhas, à dança popular, onde encontrei outras formas de existência.
Aqui, o movimento não encontra retorno.
Ele segue, desvia, contamina e se transforma.
Entre memórias e estados, a cena se constrói como travessia: um corpo que insiste em estar “fora do eixo”, criando outras possibilidades de existir.
“Transversa” não é sobre voltar ao início.
É sobre não caber mais nele.
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“A estreia do solo “Transversa” investiga a trajetória de uma artista formada no balé clássico, em diálogo com a dança popular brasileira e a dança contemporânea, a partir de um percurso de mais de duas décadas de pesquisa e criação.
A obra parte de procedimentos como repetição, reversibilidade e organização formal do movimento — para tensionar suas estruturas e propor desvios.
Em vez de retornar ao início de sua história, Ana Catarina Vieira, propõe a construção de um trabalho marcado por atravessamentos, deslocamentos e reconfigurações do corpo em cena.
A dramaturgia se organiza como uma colagem de referências coreográficas presentes nas suas criações, articulando trabalhos anteriores a questões atuais, compondo um campo de experimentação entre memória, técnica e existência.
“Transversa” propõe uma reflexão: um corpo treinado para desaparecer dentro da forma o que faz quando a forma já não o sustenta?
Mais do que revisitar uma trajetória, “Transversa” afirma um deslocamento: um corpo que já não cabe na forma que o constituiu e, por isso, cria outras possibilidades de existência.
“Transversa” é escolher atravessar.”
FICHA TÉCNICA
Ana Catarina Vieira
Direção artística, dramaturgia, pesquisa de linguagem, criação, coreografia e figurino;
Juliana Augusta Vieira:
Direção cênica, direção técnica, dramaturgia, iluminação e cenário;
Bruno Serroni:
Direção musical e trilha sonora;
Chico Serroni:
Composição musical e colaborações na trilha sonora;
Bruna Lessa:
Coordenação videográfica;
Ângelo Madureira:
Crédito de percurso (desenvolvimento de pesquisa e criação – 26 anos);
Apoio Cultural e agradecimento:
Instituto Cultural Pagu. (Davi Martins e Lu Fontes).
ANA CATARINA VIEIRA
bailarina, coreógrafa, pesquisadora, diretora artística e dramaturgista.
Natural de São Paulo, iniciou sua formação em dança aos 8 anos de idade. Formou-se no método Vaganova com Sacha Svetloff e Andrei Koudelin. Foi integrante da Cia. Cisne Negro (1997–2002), atuando com importantes coreógrafos nacionais e internacionais e circulando pelo Brasil e por países como Argentina, Alemanha, Estados Unidos e Chile.
Desde 2000, desenvolve, ao lado de Ângelo Madureira, uma pesquisa continuada em dança baseada no diálogo entre o balé clássico e as danças populares brasileiras, estruturando uma linguagem própria no campo da dança contemporânea, com Ângelo Madureira, criou e dirigiu mais de 30 espetáculos ao longo de 25 anos de trajetória. É diretora geral do Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira
Paralelamente à sua produção autoral, atuou como coreógrafa convidada, em companhias como Cisne Negro Cia. de Dança, São Paulo Companhia de Dança, Vila das Artes, Gira Dança, entre outras, ampliando o alcance de sua pesquisa para diferentes contextos e corpos.
Sua carreira é marcada por ampla circulação nacional e internacional, com participação em importantes festivais, mostras e projetos no Brasil e no exterior. Internacionalmente, apresentou seus trabalhos com Ângelo Madureira, em países como Croácia, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Panamá e outros territórios da América Central, integrando festivais e projetos como Festival Materiais Diversos, Ano do Brasil em Portugal, Brasil Move Berlim, Festival Queer Zagreb, Queer New York, Queer Split, Festival Perforacije etc. além de realizar residências, coproduções, workshops e ações formativas.
Recebeu importantes prêmios e reconhecimentos, como APCA (2003 e 2007), Rumos Dança Itaú Cultural, Prêmio Klauss Vianna, Cultura Inglesa Festival, Prêmio Funarte Petrobras, Caixa Cultural, ProAC Circulação e diversas edições do Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo.
Em 2012, foi contemplada com o Petrobras Cultural, garantindo ao grupo um período de estabilidade e expansão por três anos, com circulação por diversos estados brasileiros e pelo interior de São Paulo, realizando mais de 60 apresentações, workshops e ações de formação de público. Nesse período, criou os espetáculos A Pele da Máquina, Clandestino.2 e Estado Imediato.
É bacharel em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC-SP, onde desenvolveu pesquisa sobre seus próprios processos de criação. Atua como curadora, mentora e educadora, consolidando uma trajetória comprometida com a pesquisa de linguagem, a transmissão de conhecimento e a formação de público para a dança.
Informações do evento
Datas e Horários:
12 de maio de 2026
20:00 às 21:00 -
Terça-Feira
Entrada Gratuita
Classificações: 12 anos
Acessibilidade: Com Acessibilidade
Capacidade de pessoas: 224
Site: https://www.itaucultural.org.br/
Formato do Evento: Presencial
Local: Itaú Cultural
Endereço: Avenida Paulista, 149 - São Paulo / SP - 01311000
Localização: