“TRANSVERSA”
Fui treinada para repetir, para alinhar o corpo a uma forma, para retornar ao início e refazer o caminho com excelência e perfeição.
Como diz Manoel de Barros:
– “Repetir, repetir, repetir – até ficar diferente.”
Mas o que acontece quando o corpo já não quer voltar?
“Transversa” nasce deste deslocamento.
De um corpo atravessado por camadas de tempo, técnica e experiência. Do balé clássico, onde aprendi a construir linhas, à dança popular, onde encontrei outras formas de existência.
Aqui, o movimento não encontra retorno.
Ele segue, desvia, contamina e se transforma.
Entre memórias e estados, a cena se constrói como travessia: um corpo que insiste em estar “fora do eixo”, criando outras possibilidades de existir.
“Transversa” não é sobre voltar ao início.
É sobre não caber mais nele.
*
Transversa” investiga a trajetória de uma artista formada no balé clássico, em diálogo com a dança popular brasileira e a dança contemporânea, a partir de um percurso de mais de duas décadas de pesquisa e criação.
A obra parte de procedimentos como repetição, reversibilidade e organização formal do movimento — para tensionar suas estruturas e propor desvios.
Em vez de retornar ao início de sua história, Ana Catarina Vieira, propõe a construção de um trabalho marcado por atravessamentos, deslocamentos e reconfigurações do corpo em cena.
A dramaturgia se organiza como uma colagem de referências coreográficas presentes nas suas criações, articulando trabalhos anteriores a questões atuais, compondo um campo de experimentação entre memória, técnica e existência.
“Transversa” propõe uma reflexão: um corpo treinado para desaparecer dentro da forma o que faz quando a forma já não o sustenta?
Mais do que revisitar uma trajetória, “Transversa” afirma um deslocamento: um corpo que já não cabe na forma que o constituiu e, por isso, cria outras possibilidades de existência.
“Transversa” é escolher atravessar.”
FICHA TÉCNICA
Ana Catarina Vieira
Direção artística, dramaturgia, pesquisa de linguagem, criação, coreografia e figurino;
Juliana Augusta Vieira:
Direção cênica, direção técnica, dramaturgia, iluminação e cenário;
Bruno Serroni:
Direção musical e trilha sonora;
Chico Serroni:
Composição musical e colaborações na trilha sonora;
Bruna Lessa:
Coordenação videográfica;
Ângelo Madureira:
Crédito de percurso (desenvolvimento de pesquisa e criação – 26 anos);
Ana Catarina Vieira – Criação, direção geral e bailarina
Bailarina, coreógrafa, pesquisadora, diretora artística e dramaturgista.
Natural de São Paulo, iniciou sua formação em dança aos 8 anos de idade. Formou-se no método Vaganova com Sacha Svetloff e Andrei Koudelin. Foi integrante da Cia. Cisne Negro (1997–2002), atuando com importantes coreógrafos nacionais e internacionais e circulando pelo Brasil e por países como Argentina, Alemanha, Estados Unidos e Chile.
Desde 2000, desenvolve, ao lado de Ângelo Madureira, uma pesquisa continuada em dança baseada no diálogo entre o balé clássico e as danças populares brasileiras, estruturando uma linguagem própria no campo da dança contemporânea, com Ângelo Madureira, criou e dirigiu mais de 30 espetáculos ao longo de 25 anos de trajetória. É diretora geral do Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira Paralelamente à sua produção autoral, atuou como coreógrafa convidada, em companhias como Cisne Negro Cia. de Dança, São Paulo Companhia de Dança, Vila das Artes, Gira Dança, entre outras, ampliando o alcance de sua pesquisa para diferentes contextos e corpos. Sua carreira é marcada por ampla circulação nacional e internacional, com participação em importantes festivais, mostras e projetos no Brasil e no exterior. Internacionalmente, apresentou seus trabalhos com Ângelo Madureira, em países como Croácia, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Panamá e outros territórios da América Central, integrando festivais e projetos como Festival Materiais Diversos, Ano do Brasil em Portugal, Brasil Move Berlim, Festival Queer Zagreb, Queer New York, Queer Split, Festival Perforacije etc. além de realizar residências, coproduções, workshops e ações formativas.
Recebeu importantes prêmios e reconhecimentos, como APCA (2003 e 2007), Rumos Dança Itaú Cultural, Prêmio Klauss Vianna, Cultura Inglesa Festival, Prêmio Funarte Petrobras, Caixa Cultural, ProAC Circulação e diversas edições do Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo.
Em 2012, foi contemplada com o Petrobras Cultural, garantindo ao grupo um período de estabilidade e expansão por três anos, com circulação por diversos estados brasileiros e pelo interior de São Paulo, realizando mais de 60 apresentações, workshops e ações de formação de público. Nesse período, criou os espetáculos A Pele da Máquina, Clandestino.2 e Estado Imediato.É bacharel em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC-SP, onde desenvolveu pesquisa sobre seus próprios processos de criação. Atua como curadora, mentora e educadora, consolidando uma trajetória comprometida com a pesquisa de linguagem, a transmissão de conhecimento e a formação de público para a dança.
Juliana Augusta Vieira – direção de cena, direção técnica, cenário e iluminação:
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, e em cenografia pelo Espaço Cenográfico de São Paulo (2004). Em 2005, foi convidada a ser assistente de cenografia e figurino de J. C. Serroni, função na qual participou de projetos dirigidos por Vladimir Capela, Antunes Filho, Gabriel Villela, Abujanra, dentre outros. Desde então trabalha na criação, pesquisa, execução, produção e montagens de ceno- grafias, expografias e iluminação de espetáculos de dança e teatro, shows, eventos e exposições. Trabalhou e trabalha com artistas brasileiros contemporâneos como Ana Catarina Vieira e Ângelo Madureira, Wagner Schwartz, Elisabet Finger, Maikon K, Natalia Mallo, Renata Carvalho, Blubel, Rodriogo Bueno, Gustavo Piqueira e Samia Jacintho (Casa Rex). Em parceria com a Corpo Rastreado foi responsável técnica e operou espetáculos nacio- nais e internacionais entre eles Grupo Vaca 25 (teatro-México), Halka (circo – Marrous), Thoago Granato (dança – Brasil/Alemanha), Lia Rodrigues (dança – Brasil), Alejandro Ahmed (dança – Brasil), Karin Serafin (dança – Brasil) Participou congressos e festivais de arte nacionais e internacionais dentre eles, ECUM 2006- Encontro Mundial de Artes Cênicas (Brasil), Quadrienal de Cenografia de Praga 2007 e 2011 (República Tcheca), Festival Queer Zagreb (Croácia e NY), Moving Berlin 2007 e 2011(Alemanha), Palco Giratório (Brasil), Galeria Caixa (Brasil), Materiais Diver- sos 2012 (Portugal), Festival Prisma (Panamá), Mirada (Brasil), Bienal de Dança (Ceará), Bienal de Dança (Brasil). Participou do 7o, 9o, 11o, 29o Programa de fomento a dança da cidade de São Paulo entre outros editais de circulação e criação. Ministra como convida aulas de iluminação cênica e processo de criação na Escola São Paulo e SP Escola de Teatro.
Bruno Serroni – Direção musical
Nascido em São José do Rio Preto em 5/2/1980, começou os estudos na música ainda criança. Formado em Comunicação Social, curso de Rádio e Televisão, pela FAAP em São Paulo, no ano de 2001, sempre se manteve profundamente conectado com a área do som. Paralelamente estudou música com professores renomados como Celio Barros no contrabaixo (1995 a 1998) e Marialbi Trisolio no violoncelo (2001 a 2007). Seja ao violoncelo, ao piano ou ao baixo elétrico, Bruno Serroni sempre foi figurinha carimbada em palcos e gravações acompanhando diversos artistas dos mais diversos estilos ao longo dos últimos 20 anos. Já tocou em inúmeros shows e festivais no Brasil e no exterior e gravou com Ney Matogrosso, Chico César, Paulo Miklos, Thiago Pethit, Blubell, Léo Cavalcanti, Helio Flanders (Vanguart), Marcelo Jeneci, e atualmente acompanha ao cello a cantora Mariana Rios em seu trio acústico. Com mais de 10 anos de experiência em gravação e produção musical, em sua produtora Nanuk, produziu um vasto repertório de centenas de músicas para filmes publicitários, cinema, TV e outras mídias. Artista independente, atuou como compositor, cantor e produtor musical na área de shows e espetáculos. Em 2014 lançou seu disco autoral “Dentre Nós”, nas plataformas digitais e também em CD e LP. Hoje grava com freqüência e de forma remota, violoncelo para as maiores produtoras de audio do país, assim como para artistas do mundo todo, fazendo parte do seleto time da plataforma Musiversal e também como instrumentista e arranjador na plataforma Soundbetter.
Informações do evento
Datas e Horários:
2 de julho de 2026
até 5 de julho de 2026
20:00 às 21:00 -
Quinta-Feira
20:00 às 21:00 -
Sexta-Feira
20:00 às 21:00 -
Sábado
18:00 às 19:00 -
Segunda-Feira
Entrada Gratuita
Classificações: 12 anos
Acessibilidade: Com Acessibilidade
Site: https://www.itaucultural.org.br/
Formato do Evento: Presencial
Local: Itaú Cultural
Endereço: Avenida Paulista, 149 - São Paulo / SP - 01311-000
Localização: