Crédito da foto: Cacá Bernardes

SONIA SOBRAL APRESENTA RITA 9.11 NO CENTRO DA TERRA

Palestra-performance parte de uma experiência vivida durante uma viagem de ônibus pelo interior do Brasil para refletir sobre as conexões entre memória e criação artística

Depois de uma temporada no Teatro Pyndorama, em São Paulo, e de integrar a programação do Festival Midrash de Teatro, no Rio de Janeiro, a palestra-performance RITA 9.11 chega ao Centro da Terra para duas apresentações nos dias 19 e 20 de novembro, quinta e sexta-feira, às 20h. Com dramaturgismo de Dinah de Oliveira e direção de Alice Nogueira, o trabalho marca a estreia de Sonia Sobral como performer e dramaturga, após mais de três décadas de atuação na gestão, pesquisa e curadoria das artes cênicas brasileiras.

Em cena, Sonia compartilha uma experiência que permaneceu em sua memória por cerca de 20 anos e que encontrou na criação artística um caminho para ganhar novas camadas de sentido. O ponto de partida é uma viagem noturna de ônibus entre o interior de Goiás e Brasília, quando a artista testemunhou o momento em que Rita, uma mulher que viajava com três filhos, entrou em uma espécie de colapso. A lembrança, guardada por duas décadas, transforma-se em matéria de investigação sobre memória e criação.

É a partir dessa lembrança que RITA 9.11 aproxima duas trajetórias: a da própria Sonia, que percorreu os 27 estados brasileiros na construção de programas nacionais de artes cênicas, e a de Rita, encontrada em uma dessas inúmeras viagens pelo país. A experiência pessoal se transforma em autoficção e coloca em cena também uma questão que atravessa a trajetória profissional da artista. O que acontece entre a ideia de um trabalho artístico e aquilo que finalmente chega ao palco?

Do lado de fora para dentro da cena

Durante mais de 30 anos como gestora cultural, Sonia acompanhou de perto a produção de dança e teatro no Brasil. Sua atuação também envolveu pesquisa, curadoria, criação de coleções de dança e a realização de encontros entre artistas. Mas havia uma etapa do processo que Sonia conhecia apenas de fora, a própria feitura de um espetáculo. “Eu fui gestora cultural de dança por mais de 30 anos, desenvolvi muitos programas, fiz curadorias, coleções de dança, promovi encontros, conheci artistas de todo Brasil, mas eu nunca vi a feitura de um espetáculo, não assistia ensaios, não vi as ideias formando corpo”, conta.

Segundo ela, seu contato com os trabalhos acontecia principalmente por meio dos projetos apresentados pelas companhias e artistas. “Eu lia os projetos e depois de seis meses via as estreias que, em geral, eram diferentes das propostas iniciais, normal, mas eu pensava no caminho entre uma coisa e outra. E quando deixei as instituições quis ver como se trabalha os materiais artísticos, como se juntam, como vão virando cena”, explica Sonia.

É nesse desejo de conhecer por dentro o processo de criação que nasce sua passagem para a cena. A escolha pela palestra-performance também cria uma zona de tensão entre a Sonia gestora, pesquisadora e curadora e a artista que se coloca diante do público. O corpo que durante décadas esteve dedicado a observar, selecionar, acompanhar e promover a produção de outros artistas passa a experimentar o próprio processo de criação.

Mesa que se transforma em cena

Em RITA 9.11, uma mesa e uma cadeira, únicos itens da cenografia, estabelecem um jogo que remetem ao ambiente de uma palestra, aproximando a cena da experiência institucional e acadêmica. Ao longo da apresentação, porém, esse espaço se transforma. Sonia manipula objetos e desloca a função da mesa, fazendo com que o ambiente inicialmente associado à fala e à transmissão de conhecimento se torne espaço de criação e recordações.

“Procurei um modo para dizer o que salvei na memória, um espaço cênico, um púlpito, uma oratória para contar o que guardo de Rita. Ela e seus filhos permaneceram calados atrás dos meus olhos por 20 anos, mas agora eu vou contar o que vi e vivi”, pontua ela.

RITA 9.11 dá continuidade a uma trajetória que já havia aproximado Sonia da criação artística. Em 2016, ela criou a performance Involuntários da Pátria, com a atriz piauiense Fernanda Silva, a partir de texto do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. O trabalho foi apresentado em diversas cidades brasileiras e também em Lisboa, Porto, Paris e Rivera, no Uruguai.

Informações do evento

Datas e Horários:
19 de novembro de 2026 até 20 de novembro de 2026 20:00 às 20:40 - Quinta-Feira 20:00 às 20:40 - Sexta-Feira

Valor: R$ 48,00 a R$ 96,00

Classificações: livre

Acessibilidade: Sem Acessibilidade

Capacidade de pessoas: 100

Site: https://www.centrodaterra.org.br/sonia-sobral-rita

E-mail: [email protected]

Formato do Evento: Presencial

Local: Centro da Terra

Endereço: Rua Piracuama, 19 - São Paulo / SP - 05017-040