Com criação e atuação de Raquel Karro, “Penelopéia – uma palestra-dançada” faz três apresentações, dias 16, 23 e 30 de setembro, no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana
O espetáculo, que une dança, teatro e performance, é inspirado na personagem Penélope, de a “Odisseia”, e questiona os porquês de um dos retratos mais antigos da mulher na literatura ocidental ser associado ao esperar
Por que, entre tantas personagens femininas mágicas e instigantes presentes em a “Odisseia”, de Homero, a atriz e coreógrafa Raquel Karro se identificou com Penélope, a mulher que espera por 20 anos seu marido Ulisses voltar da Guerra de Troia? Esta pergunta motivou a criação de “Penelopéia – uma palestra-dançada”, que faz três apresentações nos dias 16, 23 e 30 de setembro, no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana. A obra reestreia neste momento em que o mito de Ulisses voltou aos holofotes, impulsionado pelo lançamento do filme épico “A Odisseia”, de Christopher Nolan. Assim como sua personagem-inspiradora, a criadora esperou: a obra, que chegou aos palcos em 2023, é fruto de 14 anos de pesquisa. Nesta nova temporada, o espetáculo tem apoio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Sistema Nacional de Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa através da Política Nacional Aldir Blanc.
A obra, que une dança, teatro e performance, ganhou forma durante o mestrado em Artes da Cena na UFRJ sob a orientação de Eleonora Fabião a partir de um questionamento: por que uma das mulheres mais conhecidas na literatura ocidental está associada ao “esperar”? A estrutura dramatúrgica se baseia em três perguntas: “Por que Penélope?”, “O que se espera de Penélope?”, “E se esperássemos por Penélope, aquela que tanto esperou?
“Durante um grupo de estudos sobre a “Odisseia”, me questionei por que tinha uma identificação com Penélope, a mulher que cuidava da casa e do filho, e esperava o marido. Por que não Circe, a feiticeira que transformava os homens em porcos? Por que não Calipso, a ninfa sedutora? Por que não Atena, uma deusa? É certo que o papel de Penélope na Odisseia não se resume àquele de uma dona de casa, e também não acho que seja pouca coisa ser uma dona de casa, mas me interessa a apropriação do mito pelos interesses de uma cultura patriarcal como a nossa”, lembra Raquel Karro e acrescenta: “Os movimentos sociais feministas vêm contribuindo para a complexificação de nossa noção de história. E se somos constituídas também pelos mitos que nos foram contados, dançá-los e recontá-los pode fazer parte de um processo de cura”.
Em “Penelopéia – uma palestra-dançada”, Raquel Karro leva à cena momentos autobiográficos que buscam refletir sobre o lugar deste mito na sociedade atual: “O que fica no rastro da história? De todas as facetas do mito, o que colou em mim e nas mulheres do meu tempo?” Se pergunta.
Sua pesquisa cênica contou com interlocução de Bianca Byington, Caio Riscado, Felipe Ribeiro, Luísa Buarque, Luísa Espíndola, Maria Palmeiro, Olívia Ferreira, Patrick Pessoa e Thierry Trémouroux.
Nos dias que antecedem o espetáculo, a atriz também realiza a performance “Esperando por Penélope”, quando interage com transeuntes em locais de chegadas e partidas: pontos de ônibus, estações de metrô, estações de barcas, localizados nas cercanias do espaço de apresentação. Trechos em vídeo das performances são exibidos na montagem.
Sinopse
Nesta palestra-performance, a atriz e coreógrafa Raquel Karro reflete sobre o mito de Penélope, personagem da “Odisseia”, e sua representação na sociedade ocidental como “a mulher que espera”.
Sobre Raquel Karro
Atriz, diretora, dramaturga, coreógrafa e ex-trapezista. É Mestra em Artes da Cena pela UFRJ (com pesquisa acerca de possíveis atravessamentos entre teatro e performance), formada em dança pela Faculdade Angel Vianna e em circo pela Escola Nacional do Rio de Janeiro. Sua trajetória é marcada pelos atravessamentos nas artes da cena. Como atriz, vem firmando carreira no audiovisual: “Todo dia a mesma noite – O incêndio da Boate Kiss”, série da Netflix; “Amor perfeito”, novela da Rede Globo; “La Chancha”, de Franco Verdoia, uma coprodução Argentina/Brasil; “Pendular”, de Julia Murat – Prêmio da Crítica (Fipresci) no Festival de Berlim – 2017. Outros trabalhos em audiovisual: “A Corrida dos Bichos”, com direção de Fernando Meirelles”; “Descontrole” direção de Rosane Swartman e Carol Minem; “Passaporte Memória”, direção de Décio Antunes; “Quatro Meninas”, direção de Karen Suzane; “Kali”, produção francesa com direção de Julien Seri. Em teatro, sua formação de base, se desdobra em diferentes funções. Entre 2023 e 2026: “Penelopéia – uma palestra-dançada”, criação e atuação; “Alta Sociedade”, diretora assistente de Emílio de Melo; “As Irmãs Pereira” – de Pedro Brício, direção de movimento; “Quero ser Rabih Mroué” – uma palestra-performance de Patrick Pessoa para a UFRJ, colaboração na criação junto a Dani Lima; “A Comunidade do Arco Íris”, atuação – obra infantil de Caio Fernando Abreu. Como dramaturga e coreógrafa, assinou cinco espetáculos de circo onde as fronteiras entre teatro, dança e circo se sobrepõem: “O que me toca é meu também” e “PORUMTRIZ”, ambos com a Cia Instrumento de Ver – Brasília, “Consolo” e “CAVALA” com Alice Cunha – Salvador – BA e “Ilustre Desconhecido”, de Carol Cony junto ao Rumos – Itaú. Foi trapezista e bailarina da Cia Cirque du Soleil entre Canadá e EUA no espetáculo “Varekai”. No Brasil, integrou a Intrépida Trupe e a Armazém Cia de Teatro.
Informações do evento
Datas e Horários:
16 de setembro de 2026
até 30 de setembro de 2026
20:00 às 21:10 -
Quarta-Feira
Valor: R$ 20,00 a R$ 40,00
Classificações: livre
Acessibilidade: Com Acessibilidade
Capacidade de pessoas: 101
Telefone para contato: (21) 99196-1489
E-mail: [email protected]
Formato do Evento: Presencial
Local: Teatro Gláucio Gill
Endereço: Praça Cardeal Arcoverde, s/n, copacabana - Rio de Janeiro / RJ - 22040-030.