Crédito da foto: Jonathan Dourado

Espetáculo paraense inicia sua 4ª temporada na Bahia, com apresentações em Salvador e na Aldeia Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália. Solo de dança aborda identidade indígena, ancestralidade e processo de cura.

O espetáculo paraense “Quando a Folha Dança” estreia sua 4ª temporada na Bahia, com vivências e apresentações em Salvador e na Aldeia Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, entre os dias 14 e 18 de outubro. O solo de dança contemporânea percorre o caminho de volta ao território indígena Arapiun, território originário de Ana dos Anjos, avó da criadora Rô Colares, localizado na região do Baixo Tapajós, no estado do Pará.

Na capital baiana, a programação inicia com vivência ofertada para alunos da disciplina Dança e Saberes Indígenas do curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal da Bahia, nos dias 14 e 15 de outubro. No dia 15, também haverá uma apresentação aberta ao público, às 19h, no Teatro do Movimento, da Escola de Dança da UFBA, Campus Ondina. Na ocasião, ocorrerá um intercâmbio artístico, com apresentação da obra “Imoguatá”, do artista Joseh Jara, e do espetáculo “Quando a Folha Dança”, de Rô Colares. Após as apresentações, haverá uma roda de conversa com os realizadores.

Em Santa Cruz Cabrália, no extremo sul do estado, as atividades ocorrem no Comércio Indígena Pataxó, na Aldeia Coroa Vermelha, no dia 18 de outubro. Às 16h, haverá uma vivência com atividade prática aberta à comunidade. Já às 19h, será realizado um intercâmbio artístico, com apresentação de um grupo local e, na sequência, o espetáculo “Quando a Folha Dança”. Após as apresentações, haverá uma roda de conversa com os realizadores.

Rô Colares é mulher indígena Arapiun, pesquisadora, mestra e doutora em Artes pela UFPA, e traz no corpo uma investigação que atravessa corpo-território, ancestralidade e movimento. Ela estrela o espetáculo e também o dirige, com participação de Mateus Moura. Em 50 minutos de apresentação, a obra atravessa mais de cem anos de existência de mulheres curadoras até ocupar a cena como território ritual, onde trata de elementos como identidade e morte.

“A proposta de começar pela Bahia tem um simbolismo muito grande. Foi na Bahia que os primeiros colonizadores portugueses pisaram, foi o primeiro território invadido. Para mim, é muito importante o contato com esse primeiro território e esses primeiros povos, povos de primeiro contato. Então, vai ser uma emoção muito grande na minha imagética, do modo como o Ailton Krenak propõe a ideia de imaginário, que imaginários nós podemos criar no meu imaginário pessoal, é tomar de volta esse território. É requerer fazer a retomada imagética do território de volta para os povos indígenas do Brasil”, comenta Rô Colares, diretora do espetáculo.

Sobre a apresentação na Aldeia Coroa Vermelha, a artista destaca a importância do encontro com o povo Pataxó e da aliança entre os povos indígenas na luta pela manutenção de seus territórios.

“E é com muita honra e reverência que a gente vai apresentar o espetáculo na Aldeia Coroa Vermelha do povo Pataxó. Um povo que historicamente enfrenta batalhas muito duras e vem vencendo na manutenção do seu território, frente à especulação imobiliária. E é muito importante, é uma aliança, é um fortalecimento, é dizer para os parentes Pataxós que eles são vistos e que a luta deles não é só deles, até porque povos indígenas do Brasil inteiro enfrentam essas mesmas lutas. Estar pisando nesse território precioso de um povo valente e guerreiro, é honrar minha ancestralidade Arapium e celebrar as nossas resistências, nossas existências. Estamos hoje aqui permanecemos lutando e continuaremos”, afirma.

Depois das apresentações na Bahia, o espetáculo entra em cartaz em Rondônia, passando por Porto Velho e pela Aldeia Central, do povo Karitiana, e depois pelo Ceará, no Território Indígena Jenipapo Canindé, em Fortaleza, e no Território Indígena Tremembé da Barra do Mandaú, em Itapipoca. Durante as três edições anteriores, a obra já realizou dez apresentações nos estados do Pará, Piauí e Rio de Janeiro.

O espetáculo “Quando a Folha Dança” é realizado por meio do Programa Funarte de Difusão Nacional 2025 – Circuito Klauss Vianna de Dança e tem apoio do Tekó Coletivo de Artivismo Indígena, da Escola de Dança da UFBA e da Associação de Comerciantes do Parque Indígena Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha.

Acompanhe o espetáculo pelo Instagram: https://www.instagram.com/quandoafolhadanca/

 

SERVIÇO

QUANDO A FOLHA DANÇA – SALVADOR (BA)

Vivência: 14 e 15 de outubro, para alunos da disciplina Dança e Saberes Indígenas da UFBA.

Apresentação: 15 de outubro, às 19h.

Local: Teatro do Movimento, Escola de Dança da UFBA, Campus Ondina, Salvador (BA).

Programação: apresentação de “Imoguatá”, de Joseh Jara, e “Quando a Folha Dança”, de Rô Colares, seguida de roda de conversa com os realizadores.

 

QUANDO A FOLHA DANÇA – ALDEIA COROA VERMELHA (BA)

Quando: 18 de outubro, às 16h e às 19h.

Onde: Comércio Indígena Pataxó, Feirinha de Coroa Vermelha, Aldeia Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália (BA).

Programação: às 16h, vivência com atividade prática aberta à comunidade. Às 19h, apresentação de grupo local e do espetáculo “Quando a Folha Dança”, seguida de roda de conversa com os realizadores.

Quanto: Gratuito.

Informações do evento

Datas e Horários:
14 de outubro de 2026 até 18 de outubro de 2026

Entrada Gratuita

Acessibilidade: Com Acessibilidade

Site: https://www.instagram.com/quandoafolhadanca/

Formato do Evento: Presencial

Endereço: - Salvador e Santa Cruz Cabrália / BA