Crédito da foto: Divulgação

“O Verdadeiro Momento do Falso” é um trabalho de dança contemporânea criado a partir de um experimento audiovisual de mesmo título. Organizado em atos, o espetáculo convoca o registro e a presença para o mesmo espaço: o vídeo original e algumas edições habitam a cena junto com os corpos como presença. Cada momento pode ser experienciado isoladamente, mas em sequência abre outras camadas de leitura.

A obra parte da imagem como eixo de investigação: suas possibilidades de construção, leitura e manipulação. No faz de conta, nos filtros e nas aparências, o jogo com a imagem atravessa diferentes fases e camadas das relações humanas. Estamos simultaneamente construindo e sendo atravessados por elas. A imagem seleciona o que aparece e o que some, o que credibiliza e o que vira estereótipo: ela é um mecanismo de poder. Nesse sentido, o trabalho busca tensionar as oposições entre encantar e duvidar, entre esconder e revelar, como forças que disputam a maneira de ver e ser visto.

A proposição a partir da perspectiva de artistas negros tensiona regimes de visibilidade e confronta imaginários enrijecidos. Vislumbrar campos de criação em dança a partir de múltiplos lugares, do fantástico como poética à imagem como afirmação, também é confrontar expectativas sobre o que esses corpos podem propor e criar.

A obra parte do experimento audiovisual não para reproduzi-lo, mas para descobrir suas profundidades na experiência da presença. Dois corpos emergem do vídeo como sombras e, ao longo dos atos, vão construindo e desmontando imagens, entendidos na obra como quadros vivos: nascimento, criação, confronto e acordo. Um mesmo gesto que começa e termina o espetáculo, mas invertido, em outra qualidade, como se o próprio processo não tivesse um fim. Na cena, a ideia de colagem orienta tudo: sobreposições de universos e elementos que revelam o quanto as linguagens se contaminam e se expandem mutuamente.

O processo tem como inspiração poética universos que transitam entre o encantamento e o absurdo, do cinema de Alejandro Jodorowsky a Jordan Peele. Dessas referências, os artistas se interessam pelo gesto de construir imagens a partir do físico, do exagero, do fantástico, do não-linear. O que se vê se mantém em disputa: uma negociação contínua entre construir, encantar e editar.

 

Quem somos:

O Próximo Coletivo de Dança é dirigido por Cristiano Saraiva e Thainá Souza, artistas da dança, negros e periféricos com atuação em diferentes companhias e coletivos da cidade de São Paulo. Entre dança e audiovisual, investigam desde 2018 como essas linguagens podem se atravessar de forma não hierárquica, criando processos em que criação cênica e vídeo se retroalimentam.

 

Ficha Técnica

Direção, criação e interpretação: Cristiano Saraiva e Thainá Souza

Orientação de composição: Paula Salles

Preparação corporal: Carol Ewaci e Thainá Souza

Criação e operação de luz: Oliveira Azul

Criação de trilha sonora: Marcos Felinto

Figurino: Ateliê Cangaceira Futurista

Adereços: By Babis

Cenografia: Cristiano Saraiva e Thainá Souza

Captação de vídeo: Olhares de Guiné

Edição de vídeo: Thainá Souza

Videomapping: Mariana Sucupira

Operação de som e apoio técnico: Dara Duarte

Fotografia: Marcela Guimarães

Design: Matheus Moreira

Social Media: Claudiana Honório

Produção: Yara Ktaish – Corpo Rastreado

Produção de Campo: Gabriela Ramos

Informações do evento

Datas e Horários:
12 de junho de 2026 até 13 de junho de 2026 19:00 às 20:00 - Sexta-Feira 15:00 às 16:00 - Sábado

Entrada Gratuita

Classificações: 14 anos

Formato do Evento: Presencial

Local: CRD - Centro de Referência da Dança

Endereço: Baixos do Viaduto do Chá, s/n - São Paulo / SP - 01037000

Localização: