Inaugurando a parceria entre o projeto de pós-doutorado em Filosofia “Sobre a Transdisciplinaridade no Núcleo 1618” e o Núcleo Pedro Costa, Paulo Maia apresenta a dança – teatro – percussiva Desassossego: fragmentos…

A busca por um corpo rítmico e musical encontrou personagens filosóficos afins… Bernardo Soares, o ajudante de guarda livros inventado por Fernando Pessoa fez par com Álvaro de Campos. Trata-se da dança – teatro – percussiva Desassossego: fragmentos…, um solo no qual os heterônimos pessoanos querem se transformar em música via alquimia interior. Aqui, a alquimia interior busca pela aproximação entre corpo e espírito através da transmutação da própria personalidade. O processo visa aumentar a vontade de viver.

Ora, para que serve a existência de Bernardo Soares? Porque ele deve existir, no universo de Pessoa? Qual é a sua função essencial? Caso ele não precisasse existir, não teria existido… e não é o caso! A interpretação de José Gil explicita o quanto a existência de Soares serve unicamente para buscar sensações e trabalhar em torno delas, multiplicando-as… “[…] as sensações desdobram um espaço próprio que só pode ser apreendido se o espaço e o tempo normais, macroscópicos, tiverem já deixado de impor sua dominação.” O treino da improvisação em dança – teatro guia-se pela obediência ao fluxo momentâneo das sensações interiores, transformando-as em fluxo de movimento. “Soares cria o fragmento como gênero apropriado à expressão de tais estados, tão fragmentários e tão completos em si próprios […]”. Ele “[…] multiplica as sensações, divide-as, desdobra-as, isola-as. Faz assim surgir as sensações mais agudas, mais intensas.”, diz Gil.

O fluxo sensível e literário de Soares corre solto em cada fragmento, feito água. A percussão corporal, o derbak libanês, os guizos e a flauta equilibram timbres e frequências entre o sutil e o corpóreo. A chegada de Álvaro de Campos no baralho traz o elemento fogo, através de explosões poéticas que vão do espírito aos astros… As 10 cartas lidas “ao acaso” misturam a suavidade sensível de Soares com a fúria de Campos, numa alquimia pessoana repleta de beleza poética e musicalidade dramática.

Uma viagem imóvel despreocupada em revelar a personagem no ápice de sua trajetória pessoal. Antes, revela do início ao fim a mesma zona de intensidades alquímicas, navegando entre dança, ritmo, sensações e poesia, mesclando limites supostos.

 

FICHA TÉCNICA

Direção, interpretação, dramaturgia, percussão & flauta: Paulo Maia
Fotografia: Yarin, Marcela Guimarães e Giovana Pasquini
Vídeo: Giovana Pasquini
Textos de Álvaro de Campos e Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
Agradecimentos: José Gil (via n-1 edições), Alexandre Bacci (A Casa Espaço Cultural), Américo Sommerman (Polar Editora), Anaí Pigatto, Yarin Lima, Giselle Mendes, Larcy Andrade, Andressa Oliveira, Trini Fumeiro (Rama Nueva Espaço Cultural), Vivien Buckup, Sandro Fornazari (GEFD – Unifesp), Núcleo Pedro Costa, Hélvio Tamoio e Rebeca Tadiello.

Ingressos: R$15,00 (até 26.04) a R$ 30,00 (a partir de 27.04)

Vendas via pix (chave: [email protected])

Obs: Ensaio aberto gratuito sábado 18.04 às 17hs (mesmo local).

Redes:
@nucleo1618
@npcespacodedanca

Informações do evento

Datas e Horários:
2 de maio de 2026 20:00 às 20:50 - Sábado

Valor: R$ 15,00 a R$ 30,00

Classificações: 16 anos

Acessibilidade: Sem Acessibilidade

Formato do Evento: Presencial

Local: Sala Cênica do Núcleo Pedro Costa

Endereço: Rua Almirante Marques de Leão, 353 - São Paulo / SP - 01330010

Localização: