Crédito da foto: Silvia Machado

O que sustenta uma raiz? Que memórias permanecem vivas no corpo mesmo depois de tantos apagamentos? E quais histórias ainda insistem em florescer? Essas perguntas atravessam a MOSTRA MICELIAL – RAÍZES EM CONEXÃO, que acontece de 2 a 14 de junho, no Centro Cultural Olido, reunindo quatro solos criados pelos integrantes do Núcleo Pé de Zamba a partir de investigações sobre ancestralidade, território e identidade.

Criados durante a pandemia, os solos – Chão-Raiz, de Andrea Soares; Irradiante, de Fabricio Enzo; Sopros em Pedra nos Açude da Memória, de Jô Pereira e Curare – Maré de Memórias, de Leandro Medina – nasceram de experiências intensas de pesquisa de campo realizadas em diferentes regiões do Brasil. Em comum, os trabalhos carregam a tentativa de escutar histórias interrompidas, reconstruir vínculos e dançar aquilo que permanece pulsando entre heranças africanas, indígenas e populares.

A MOSTRA MICELIAL – RAÍZES EM CONEXÃO integra o projeto Pé dentro, Pé Fora – 15 (+1) Anos do Núcleo Pé de Zamba, contemplado pela 38ª edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo. Mais do que celebrar a trajetória do coletivo, o projeto transforma o Olido em um espaço de encontro entre dança, memória, pesquisa e troca de saberes.

“Mais do que celebrar nossos 16 anos, este projeto reafirma nosso compromisso em construir pontes vivas entre tradição e contemporaneidade. É nesse encontro que seguimos fortalecendo a presença das culturas brasileiras na cena artística de hoje”, afirma a diretora e dançarina Andrea Soares.

Os artistas e seus solos

Abrindo a mostra, Sopros em Pedra nos Açudes da Memória, de Jô Pereira (2, 6 e 7 de junho, terça-feira e sábado, 19h e domingo, 18h), mergulha em paisagens afetivas atravessadas por silenciamentos, deslocamentos e resistências. O corpo aparece como território de escavação e reinvenção, revelando memórias afro-indígenas que sobreviveram aos apagamentos históricos.

Na sequência, Curare – Maré de Memórias, de Leandro Medina (3 a 5 de junho, quarta a sexta-feira, 19h), conduz o público por uma travessia inspirada nas águas da Amazônia e nas figuras femininas guardiãs de saberes ancestrais. Entre rituais, curas e lembranças fragmentadas, o solo investiga aquilo que insiste em emergir à superfície.

Irradiante, de Fabricio Enzo (10 a 12 de junho, quarta a sexta-feira, 19h), bebe das festas populares do sertão cearense, especialmente dos reisados e brincadeiras de caretas da região de Santa Quitéria. Misturando celebração, dança, música ao vivo e interação com o público, o trabalho transforma a cena em festa coletiva e homenagem às raízes familiares e culturais do intérprete.

Encerrando a programação, Chão-Raiz, de Andrea Soares (9, 13 e 14 de junho, terça-feira e sábado, 19h e domingo, 18h), costura memórias de infância, relatos familiares e vivências junto aos povos Xukuru e Kapinawá, em Pernambuco, para investigar os apagamentos da sua ancestralidade indígena. Com música ao vivo, o solo transforma o palco em território de reconexão e escuta ancestral.

Trajetória do Pé de Zamba

Além da mostra, o projeto reúne outras ações que ampliam o diálogo com o público. Entre elas, a exposição Cartografias de encontros: corpo e encantamento, em cartaz de 5 de maio a 14 de junho, apresenta um recorte sensível do Núcleo Pé de Zamba por meio de registros fotográficos acumulados ao longo da trajetória artística. Com curadoria da artista visual Sylvia Sanchez, a mostra propõe uma experiência não linear guiada por temas como ancestralidade, territórios, trocas de saberes e mistérios.

A programação inclui ainda a imersão O Invisível Que Nos Habita, realizada entre 17 de junho e 10 de julho, em formato próximo ao de uma residência artística. A atividade investiga apagamentos culturais na cidade de São Paulo e propõe reflexões sobre patrimônios materiais e imateriais presentes no cotidiano urbano. As inscrições acontecem de 21 de maio a 1º de junho, com vagas afirmativas destinadas a pessoas negras, indígenas e trans.

Como desdobramento das pesquisas e experiências vividas nos últimos 16 anos, o Núcleo Pé de Zamba lança também um novo site e um minidocumentário com registros das investigações de campo e dos processos criativos desenvolvidos pelo coletivo.

 

Serviço:

 

PÉ DENTRO, PÉ FORA – 15 (+1) ANOS DO NÚCLEO PÉ DE ZAMBA

Com o Núcleo Pé de Zamba.

Centro Cultural Olido – Avenida São João, 473 – Centro, São Paulo.

 

Mostra de Solos

Sopros em Pedra nos Açude da Memória

Com Jô Pereira.

2, 6 e 7 de junho, terça-feira e sábado, 19h e domingo, 18h.

Livre | 32 minutos | Gratuito.

 

Curare – Maré de Memórias

Com Leandro Medina.

3 a 5 de junho, quarta a sexta-feira, 19h.

Livre | 26 minutos | Gratuito.

 

Chão-Raiz

Com Andrea Soares.

9, 13 e 14 de junho, terça-feira e sábado, 19h e domingo, 18h.
12 anos | 60 minutos | Gratuito.

 

Irradiante

Com Fabricio Enzo.

10 a 12 de junho, quarta a sexta-feira, 19h.

Livre | 45 minutos | Gratuito.

 

Exposição

Cartografias de encontros: corpo e encantamento

5 de maio a 14 de junho, terça-feira a domingo, 10h às 21h.
Livre | Gratuito.

 

Imersão

O Invisível Que Nos Habita

17 de junho a 10 de julho, quartas-feiras, 14h às 20h; quintas-feiras, das 10h às 17h e sextas-feiras, das 10h às 14h.

Inscrições gratuitas (8 vagas) de 21 de maio a 1º de junho disponíveis nas redes sociais e no site do Núcleo Pé de Zamba. @pedezamba | www.pedezamba.com.br.

Informações do evento

Datas e Horários:
2 de junho de 2026 até 14 de junho de 2026 19:00 às 20:00 - Terça-Feira 19:00 às 20:00 - Quarta-Feira 19:00 às 20:00 - Quinta-Feira 19:00 às 20:00 - Sexta-Feira 19:00 às 20:00 - Sábado 18:00 às 19:00 - Domingo

Entrada Gratuita

Classificações: livre

Acessibilidade: Sem Acessibilidade

Capacidade de pessoas: 100

Telefone para contato: (

Site: http://www.pedezamba.com.br

E-mail: [email protected]

Formato do Evento: Presencial

Local: Centro Cultural Olido

Endereço: Avenida São João, 473 - São Paulo / SP - 01035-000

Localização: