Crédito da foto: Maria Hermeto

Com espetáculos do Ceará, Piauí e Rio de Janeiro, mostra de dança e performance MonStra chega à sua sétima edição.

Evento criado durante a pandemia, em 2020, “MonStra 7” vai acontecer entre os dias 13 e 15 de novembro, no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro.

Como seguir criando diante das adversidades? A mostra de dança e performance “MonStra” reflete as práticas de esforço, desejo, invenção e insistência praticadas pelos artistas. Em sua sétima edição, a MonStra reúne sete trabalhos de artistas do Ceará, do Piauí e do Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 15 de novembro, no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro. São diferentes corpos, pesquisas, linguagens e modos de estar em cena reunidos por uma curadoria que aposta no encontro e na diversidade da produção em dança. 

O nome do evento celebra essa diversidade e estranheza, que provoca o olhar a se deslocar e ver as coisas de outra forma. Batizada de “Das Tripas, Coração”, esta edição tem curadoria assinada por Camila Fersi e Gabriela Jung. Na sexta-feira, a MonStra traz ao Rio estreia do solo “Super”, de Alysson Amancio, do Ceará; e o espetáculo “Prosas Ordinárias”, trabalho da companhia carioca Prosa que utiliza panos e trapos como matéria-prima para criação coregráfica. No sábado, o público confere “Você nunca vai dançar”, da bailarina Helena Matriciano, que reflete sobre memória e envelhecimento; e “Piratas e as cinco paisagens”, estrutura coreográfica pautada na improvisação, do Coletivo Instantâneo. Completam a programação, no domingo, “Um coisa de cada vez”, de Julia Gil e Pedro Quaresma; “Nuca”, de Natália Quinderé; e “Manual de Feitiço”, da artista piauiense residente em Fortaleza, Luzia Amélia.

Em um cenário de oportunidades limitadas e alta competitividade, o ofício dos artistas passa a ser ditado por prazos e exigências que não condizem com o tempo e a estrutura necessária para o desenvolvimento da criação nas artes da cena. 

Para Camila Fersi, realizar essa mostra diante desse cenário é um movimento político para mover ideias e viabilizá-las com o apoio da rede de parceiros construída durante anos de atuação profissional na cidade do Rio e no Brasil. 

“A MonStra 7 acontece porque existe uma rede disposta a colocar corpo, trabalho, tempo e recursos em circulação. Porque ainda se inventam maneiras de fazer junto. É uma realização que se apoia na capacidade de articulação de uma rede que, há anos, produz encontros, circulação e pensamento em dança”, comenta Camila.

Para colocar mais uma edição na rua, a MonStra reuniu artistas, técnicos, produtores, amigos e público para colaborar na construção do evento. Além dos parceiros, as artistas criaram uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria, a fim de cobrir os custos de produção do evento, que não conta com patrocínio e tem investimento direto da equipe.

“Sabemos que essa maneira de fazer traz à tona questões maiores: como se sustentam as artes quando os recursos são insuficientes e as políticas públicas não dão conta da diversidade e da continuidade da produção artística? Que redes se formam quando é preciso criar outras maneiras de permanecer em movimento?”, elabora Gabi Jung.

 

SOBRE A MONSTRA

Desde a sua primeira edição, ainda na pandemia do COVID19, em 2020, MonStra  mobilizou e incentivou bailarinas (os) e coreógrafas (os) a continuarem seus projetos artísticos, convidando-os a inventarem novas maneiras de criar e apresentar danças.

As 4 primeiras edições foram realizadas no modo remoto e apresentaram uma grande variedade de trabalhos feitos em casa por artistas que tiveram seus percursos interrompidos naquele período. Nas edições 5 e 6, MOnStra volta ao movimento presencial e é contemplada pelo Fomento Carioca. O projeto segue se aprimorando, cuidando de sua rede de parceiros com afeto e tentando um lugar na arena insana dos editais. 

E assim, das tripas coração, nasce a Monstra 7, afirmando a potência da ação coletiva e das redes de colaboração que sustentam a produção artística. Ao mesmo tempo, colocando em perspectiva as condições de realização das artes, a distribuição de recursos e as políticas públicas para as artes no Rio de Janeiro. 

SERVIÇO

MONSTRA 7 

Data: 13, 14 e 15 de novembro (sexta, sábado e domingo)

Horários: 13 e 14, às 19 horas. 15, às 18 horas.

Local: Centro Coreográfico do Rio de Janeiro (CCO)

Endereço: Rua José Higino, 115, Tijuca. (Próximo à Estação de Metrô Uruguai, da Linha 1).

Ingressos: R$40 (inteira) / R$20 (meia-entrada) à venda via Sympla e na bilheteria do CCO.

Classificação: Livre

 

SOBRE OS TRABALHOS DA MONSTRA 7

SEXTA

SUPER

ALYSSON AMANCIO

Super é um solo de dança que questiona as relações de poder no sistema mercadológico. Enfatiza a linha tênue entre dominação e proteção, incentivo e exploração, eficiência e ‘“coisificação”, chamando nossa atenção para o exercício diário de manutenção da força vital. Super é um olhar para os entrecruzamentos que nos movem, deformam e também, nos constituem. Uma dança que homenageia a fragilidade e a vitalidade no humano.

 

Ficha Técnica 

Artista e criação: Alysson Amâncio 

Tutoria: Camila Fersi e Fauller

Iluminação: Luiz Renato 

Trilha sonora original: Daniel Batata

Assistência: Juliana Forbes e João Paulo Ribeiro 

Figurino: Casa Artenze

Renda Cariri: Alexandre Heberte

 

PIRATAS E AS CINCO PAISAGENS

COLETIVO INSTANTÂNEO

 

Espetáculo de dança que se inspira pelo universo dos mares, travessias, rotas de navegação  e pelos piratas enquanto seres que se lançam ao desconhecido para construir uma rota improvisacional. O trabalho transforma esses temas em jogos cênicos onde os artistas criam suas relações e percursos em tempo real.  Risco iminente entre o dentro e o fora, entre nós e os outros, entre o espontâneo e a estrutura.  Estrondo de pessoas, sons e luzes no mundo.

Concepção, dramaturgia e direção: Camila Fersi.

Criação e performance: Carol Bahiense, Carol Martins, Gabriela Jung, Juliana Trimer, Laura Silveira, Laura Mariante, Marianne Panazio e Natália Quinderé.

Trilha sonora: Pedro Santos

Desenho de Luz: Gil Santos

Fotografia: Maria Hermeto

Filmagem: Bernardo Schlegel

Apoio: Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, Casa Ngira, LABo.Laboratório de artes performáticas e Espaço Mova. 

Duração 45’

Classificação livre

 

SÁBADO

 

VOCÊ NUNCA VAI DANÇAR

HELENA MATRICIANO

Você nunca vai dançar é um solo de dança contemporânea criado a partir das experiências, memórias e vivências de uma bailarina e professora. Em cena, o corpo revisita sua própria história para investigar o passar do tempo, o envelhecimento, a aprendizagem e as possibilidades de criação.

Entre lembranças e descobertas, passado e futuro, a dança se torna espaço de memória, reflexão e reinvenção. Olhar para trás é também uma maneira de mirar o futuro.

Em Você nunca vai dançar, cada gesto carrega uma memória e, ao mesmo tempo, anuncia uma possibilidade. Porque nunca é tarde para aprender, ensinar, mudar e, sobretudo, para dançar.

Intérprete-criadora: Helena Matriciano

Tutoria: Alysson Amancio

Iluminação: Luiz Renato

Figurino: Helena Matriciano

Trilha sonora: Helena Matriciano

Fotografia: Souza Junior e Lino Fly

Vídeo: Alysson Amancio

Duração 40’

Classificação livre

 

PROSAS ORDINÁRIAS

GRUPO PROSA

Em Prosas Ordinárias, quatro mulheres e 269 trapos se encontram para dançar. Pedaços de pano usados – cada qual com seu tamanho, peso, cor, textura, manchas, remendos, nós e buracos – ocupam o centro da cena, abrindo espaço para novas relações e possibilidades de movimento.

A partir de uma pesquisa corporal com objetos simples e cotidianos, o Grupo Prosa busca subverter seus significados e funcionalidades, fazendo a dança emergir de materiais ordinários e cultivando um olhar poético para aquilo que tantas vezes nos passa despercebido.

Em uma sociedade marcada pelo cansaço, pela aceleração e pela desconexão, o espetáculo propõe uma reflexão sobre as relações humanas, reverenciando os vínculos afetivos, a condição feminina e a necessidade da pausa como gesto de resistência e cuidado. Entre imagens, movimentos e encontros, corpos e trapos tecem suas prosas, revelando outras maneiras de estar junto e de existir no mundo.

Concepção e Direção: Tamara Rothstein

Intérpretes: Amanda Pontes, Carolina Azambuja, Lorena Pimentel, Maria Paula Ramalho

Desenho de luz: Sara Fagundes

Edição de áudio: Camila Baggio

Figurino: AnaVa 

Fotografia e filmagem: Camila Baggio 

Duração 45’

Classificação livre

 

DOMINGO

UMA COISA DE CADA VEZ

JULIA GIL E PEDRO QUARESMA

Mostra de processo criativo do trabalho Uma Coisa de Cada Vez 

Impacto. Fluidez. Detorné. Revida. Encosta. Apoia. Pesa. Gira. Uma coisa de cada vez. 

 

Fotografia: Julia Gil e Pedro Quaresma 

Apoio: Studio Casa de Pedra  

Classificação livre

 

MANUAL DE FEITIÇO

LUZIA AMÉLIA

Uma mulher negra. Livro. Prisão.

Entre gestos, silêncios e movimentos, esse processo criativo convoca a memória de

Carolina Maria de Jesus para refletir sobre as estruturas racistas

que historicamente tentaram determinar quais corpos poderiam

produzir conhecimento e quais deveriam permanecer silenciado.

 

Concepção, pesquisa e atuação: Luzia Amélia

 

NUCA

NATÁLIA QUINDERÉ

Experimentação de Natália Quinderé a partir do poema de Wisława Szymborska, A mulher de Lot. Enquanto foge de Sodoma com sua família, uma mulher conjetura os motivos de ter desobedecido à lei divina ao olhar para trás para ver sua cidade arruinada pelo fogo. nuca, para a Monstra, é uma abertura pública de processo. Investigação sobre outras possibilidades de se mover, agarradas à construção de estados e contravenções, como a desobediência, a curiosidade, a raiva, o desejo, o tédio, as filiações entre humanos e não-humanos – se alguém me visse, por certo acharia que eu dançava. 

 

Idealização e performance: Natália Quinderé

Direção: Camila Fersi

Espaço: Rodrigus Pinheiro

Som: Flávia Goa

Figurino: Pitô

Agradecimentos: Elisa de Magalhães, Érica Zíngano,  Casa Ngira, Vanessa Teixeira de Oliveira e Wilton Montenegro.

 

 

Informações do evento

Datas e Horários:
13 de novembro de 2026 até 15 de novembro de 2026 19:00 às 21:30 - Sexta-Feira 19:00 às 21:30 - Sábado 18:00 às 20:30 - Domingo

Valor: R$ 20,00 a R$ 40,00

Classificações: livre

Acessibilidade: Com Acessibilidade

Capacidade de pessoas: 100

Telefone para contato: (21) 3238-0357

Site: https://bileto.sympla.com.br/event/128761?share_id=1-copiarlink https://www.instagram.com/a.mostra.monstra/

E-mail: [email protected]

Formato do Evento: Presencial

Local: Centro Coreográfico do Rio de Janeiro

Endereço: Rua José Higino, 115 - Rio de Janeiro / RJ - 20520-201