Crédito da foto: Jardiel Carvalho

“Eita, que hoje eu vô dançá capenga memo…”

Destaque da programação do projeto Saberes & Acessos, do Sesc São Carlos, CAPENGÁ! dança e tecnologia, solo de Estela Lapponi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2023–2024, será apresentado no dia 15 de outubro, às 19h, no Teatro do Sesc São Carlos. Após a apresentação, haverá bate-papo com a artista.

A ideia de criar a partir da palavra capenga nasceu em 2022, durante a escrita do livro Corpo Intruso – uma investigação cênica, visual e conceitual. Na publicação, Estela Lapponi relata uma situação vivida em Salvador, em 2011, quando caminhava pelo centro da cidade com uma colega que também é DEF, mas do lado direito. Ao atravessarem a rua, um camelô comentou em voz alta:

“Eita, que hoje eu vô dançá capenga memo… e vô pegá uma mulé capenga pá mim também!”

A artista conta que gargalhou diante da fala, percebendo que o homem havia sincronizado perfeitamente suas palavras com o deslocamento das duas. Naquele instante, ele também se colocou capenga, estabelecendo uma relação horizontal com elas.

Desde então, Lapponi vem encasquetando com a palavra capenga e, consequentemente, com o verbo capengar. Em 2023, criou os trabalhos de videodança Capengar Gang_01 e Do Capengar da Bipedia, desdobramentos dessa investigação. Na continuidade do percurso, idealizou CAPENGÁ!, solo de dança e tecnologia que aprofunda as possibilidades estéticas, políticas e filosóficas desse verbo.

Conjugado no imperativo, inventado pela artista, capengá! não é algo que precisa ser corrigido, aperfeiçoado ou acabado. É um estado desejado, uma busca por esmiuçar a estrutura desequilibrante, pendulante e incerta presente na ação de capengar.

A investigação dramatúrgica busca deslocar os sentidos atribuídos à palavra pelo senso comum e provocar rupturas na corponormatividade, especialmente no campo da dança. Capengar não é apenas uma maneira de se locomover: é um modo de existir e de produzir linguagem, conhecimento e criação, afirmando as potências da Cultura e da produção artística DEF.

Em CAPENGÁ!, a relação entre corpo e objetos constitui o campo em que a dança acontece. Uma mulher capenga, uma cadeira ajambrada que capenga com ela e um microfone que se deita em vez de permanecer em pé compõem uma cena na qual não há hierarquia preestabelecida entre os elementos. Os objetos deixam de ser meros acessórios e passam a participar da construção da linguagem cênica.

A tecnologia integra essa composição por meio de sensores acoplados ao corpo, que acionam a trilha sonora a partir dos movimentos da performer.

CAPENGÁ! é parte graça, parte riso, parte erótica, parte tesão, parte risco, parte medo, parte dor, parte choro. Uma sobreposição de fragmentos, gestos e sensações. A instabilidade como matéria de invenção estética.

 

SINOPSE

CAPENGÁ! — O imperativo inventado do verbo ca•pen•gar (verbo intransitivo)

1. Estar lá e cá; pendular, gaguejar, entortar, desequilibrar, marolar, arriscar, bagunçar, falhar, vacilar, zuleikar, titubear, balangá, repetir, oscilar, tremer, bambear, cambalear, hesitar.

2. Gambiarra, em risco de, inércia, remendo, arranjo, partes, traquitana, bugiganga, treco, Corpo Intruso.

(Eu capengo, tu capengas, ela, eli, elu, ele capenga, nós capengamos, vós capengais, elas, elis, elus, eles capengam.)

Solo de dança e tecnologia. Sensores acoplados ao corpo disparam a trilha sonora por meio do movimento.

 

FICHA TÉCNICA

Direção, dramaturgia e performance: Estela Lapponi

Figurino: Carol Almeida e Estela Lapponi

Desenho de luz original (criação, 2025): Ila Giroto e Lúcia Chedieck

Adaptação de luz e operação (turnê 2026): Sylvie Laila

Samplers: Inés Terra

Dramaturgia sonora: Estela Lapponi e Inés Terra

Operação da dramaturgia sonora: Azre Maria Tarântula

Produção de sensores: Fabio Martinele

Cenotecnia: Juliana Augusta Vieira

Pesquisadoras e assistentes: Elisa Band e Patricia Muccini

Produção: Carla Jarra

Realização: CASA DE ZULEIKA

Residência artística: Núcleo Dança Aberta (2024–2025)

CAPENGÁ! foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2023–2024.

 

MINI BIO — ESTELA LAPPONI

Estela Lapponi é performer, videoartista e terrorista poética paulistana. Investiga o discurso cênico do corpo DEF, articulando terrorismo poético, práticas performativas e relacionais e o trânsito entre as linguagens visuais e cênicas.

Desde 2009, desenvolveu o conceito Corpo Intruso, eixo de sua pesquisa e criação artística. Em 2023, publicou o livro Corpo Intruso – uma investigação cênica, visual e conceitual, contemplado pelo Prêmio pelo Histórico em Artes Visuais do PROAC LAB 2021.

É pós-graduada pelo Máster em Práticas Cênicas e Cultura Visual da Universidad de Alcalá (UAH), na Espanha, e especialista em Estudos Contemporâneos de Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

 

Bate-papo: após a apresentação, com a artista Estela Lapponi.

Informações do evento

Datas e Horários:
15 de outubro de 2026 19:00 às 19:50 - Quinta-Feira

Valor: R$ 15,00 a R$ 50,00

Classificações: 16 anos

Acessibilidade: Com Acessibilidade

Site: https://www.sescsp.org.br/programacao/capenga-performance-e-bate-papo/

Formato do Evento: Presencial

Local: Teatro do Sesc São Carlos

Endereço: Rua Comendador Alfredo Maffei, 700 - São Carlos / SP - 13560-649