A obra cênica parte da polêmica escultura ‘A Bailarina de 14 anos’, do pintor e escultor francês Edgar Degas (1834-1917), e das memórias da bailarina brasileira Verônica Santos para destacar as violências físicas e simbólicas sofridas pela artista em seu processo de formação em dança, bem como as tentativas de apagamento de sua visibilidade ao longo de sua carreira como bailarina clássica negra. A peça-instalação foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro (2024) na categoria de Melhor Cenário; ao Prêmio APCA (2024) nas categorias de Melhor Espetáculo e Intérprete; e foi vencedora na categoria de Melhor Espetáculo no XII Prêmio Denilto Gomes de Dança (2025), da Cooperativa Paulista de Dança. A obra também foi destaque na programação da Mostra Abril pra Dança (2025), da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo e integrou o Festival Internacional Cena Contemporânea de Brasília e a Bienal Sesc de Dança 2025.
A partir de um pensamento curatorial articulado por Fernando Gimenes, idealizador do projeto, A Bailarina Fantasma reúne artistas brasileiros com fortes traços autorais como Dione Carlos na dramaturgia, Wagner Antônio na encenação, iluminação e criação da instalação cênica, Natália Nery na sonoplastia original executada ao vivo em piano, Rafael Costa na mediação artística-psicanalítica para o levantamento da biografia e composição da dramaturgia, além da própria Verônica Santos. O espetáculo revela, em uma ‘peça-instalação’ (conceito e pesquisa de longa data do encenador junto ao Grupo 28 Patas Furiosas), os bastidores do universo da dança clássica e da escultura que virou um marco na história da arte moderna.
Degas tinha grande interesse por bailarinas, tema de mais da metade de suas duas mil obras, em que retratava o corpo de balé da Ópera de Paris em palco, ensaios e momentos de descanso. Na Ópera, ele conheceu Marie van Goethem, uma estudante de balé de 13 anos, que posou para sua escultura “A Bailarina de 14 Anos”, exposta em 1881. A obra, inovadora ao usar cera, cabelo real e tecido, recebeu críticas por parecer estranha e animalesca, mas se tornou icônica, com 28 cópias em bronze em museus renomados como o Museu d’Orsay e o MASP.
Sobre as réplicas em bronze, como foram feitas em um material que escurece quando exposto à ação do tempo, muitas pessoas pensam que a bailarina real retratada na obra original era uma jovem negra. O que ao longo dos anos gerou diversos atos de cunho racista sobre a obra, chegando a nomearem como ‘A Pequena Macaca de 14 anos’
Para Verônica, que cresceu em uma família preta e periférica, o balé foi uma oportunidade de educação, mas sua formação no ambiente foi desafiadora. “Passei anos em salas de balé, pois meus pais viam nisso uma chance de sociabilização,” afirma, ressaltando a busca por uma linguagem que represente suas vivências e subjetividade.
Para Dione Carlos, dramaturga de A Bailarina Fantasma, o espetáculo é um ritual de libertação do corpo. “Queremos mostrar uma mulher renascendo. E como tenho investigado o poder do erotismo, principalmente quando falamos em corpos subalternizados, tenho construído uma espécie de quilombo-erótico-místico nos meus projetos”, explica a dramaturga. Verônica e Dione dialogam e planejam uma vingança, mas contra o colonialismo, contra o sistema, contra o racismo. É um plano de vingança subjetivo e poético, compartilhado com a plateia.
O público acompanha a cena de forma livre, sem lugares fixos. A intérprete e a equipe técnica guiam os espectadores por um ambiente imersivo que oferece uma atmosfera intimista na instalação de Wagner Antônio.
“Para mim, essa bailarina fantasma também é a memória corporal da primeira diáspora da humanidade, que foi a saída de África. Com esse espetáculo eu gostaria de resgatar essa nossa vocação para a dança”, completa Dione.
* Todas as sessões terão acessibilidade em libras.
– Ficha técnica
Idealização: Fernando Gimenes e Plataforma – Estúdio de Produção Cultural
Encenação e instalação cênica: Wagner Antônio
Atuação: Verônica Santos
Dramaturgia: Dione Carlos
Pianista: Natália Nery
Diretora Assistente: Isabel Wolfenson
Mediação Artística-Psicanalítica: Rafael Costa
Equipe técnica performativa: Lucas JP Santos, Guilherme Zomer e Marina Meyer.
Desenho de som: Guilherme Zomer
Direção de Produção: Fernando Gimenes
Assistente de Produção: Bruno Ribeiro
Administração: Mava Produções Artísticas
Pesquisa de materiais e Legendagem: Micaela Wernicke
Tradução de Texto e Maquiagem de Cena: Amanda Mantovani
Designer Gráfico: Murilo Thaveira
Fotos: Helton Nóbrega e Noelia Nájera
Redes Sociais: Jorge Ferreira
O Plataforma – Estúdio de Produção Cultural, tem como propósito a criação, produção e difusão de projetos reais e legítimos de diversidade e libertação sócio-cultural em suas dimensões artísticas, simbólicas, cidadãs e econômicas. Também realiza cursos, curadorias e orienta produções e artistas para a criação e desenvolvimento de projetos em dança e teatro. Se organiza através de uma prática curatorial mediadora e colaborativa que investiga e defende a Produção Cultural e a figura da(o) própria(o) Produtor(a) também como uma potente frente artística e autônoma de criação, não se limitando apenas à execução de projetos.
Informações do evento
Datas e Horários:
5 de fevereiro de 2026
até 8 de fevereiro de 2026
20:00 às 21:15 -
Quinta-Feira
20:00 às 21:15 -
Sexta-Feira
20:00 às 21:15 -
Sábado
18:00 às 19:15 -
Domingo
Valor: R$ 15,00 a R$ 50,00
Classificações: 16 anos
Acessibilidade: Com Acessibilidade
Site: https://www.sescsp.org.br/programacao/a-bailarina-fantasma-3/
Formato do Evento: Presencial
Local: Sesc Avenida Paulista
Endereço: Avenida Paulista, 119 - São Paulo / SP - 01311000
Localização: